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SOLIDARIEDADE
Futebol ajuda a tirar crianças da vida na rua

Um grupo de garotos de várias localidades carentes do Grande Recife se difere dos demais. A turma Descobriu uma atividade que, ao mesmo tempo, os distrai, diverte e ainda pode proporcionar um futuro melhor para a família: o futebol. Comandada pelo ex-jogador Carlos Gadelha, 37 anos, a meninada treina duro todos os dias da semana. Quem estuda de manhã, bate bola à tarde e vice-versa. Sobra menos tempo para cultivar más amizades ou para ficar ocioso.

"Depois que eu comecei na escolinha do professor Gadelha, minha vida melhorou 99%", exagera Tércio Virgínio, 16 anos. Santa Cruz de coração, quer ser volante e jogar pelo Corinthians. "Se eu não estivesse jogando futebol, acho que estaria vagabundando por aí", diz o menino.

Amigos no mundo do crime, quase todos têm. "Onde eu vivo, é até perigoso sair à rua quando escurece", conta Carlos Jonat. Aos 16 anos, o morador da Comunidade Beira-Rio, em Boa Viagem, confia no esporte para mudar de vida. "A primeira coisa que eu vou comprar é uma casa num bairro melhor para minha família."

"Faço o que posso. Também já fui carente. Ganhei dinheiro com o futebol e acho que tenho o dever de ajudar estes meninos", diz Gadelha, que já jogou no Sport, Vila Nova e Guarani e na Europa (nove anos). Hoje, 60 jovens de 12 a 20 anos participam do programa. "Tenho dois que eram envolvidos com drogas. Um eu recuperei. Estou quase conseguindo com o outro também", conta Gadelha. "Só não ajudo mais gente porque não tenho apoio de ninguém. Sou sozinho. O ideal era que algum empresário se interessasse em ajudar a escolinha", apela.

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Jornal do Commercio
Recife - 12.10.99
Terça-feira