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COMPORTAMENTO
Dicas para uma vida com mais harmonia

por MONA LISA DOURADO

Tudo começou em 1968, quando o professor de História Marcílio Reinaux, 64 anos, leu a coluna social da famosa revista O Cruzeiro, onde uma reportagem apresentava As Dez Mulheres Mais Elegantes do Brasil daquele ano. Entre as respeitáveis senhoras, a fotografia de uma certa Carmem Moser Renaux (sem o "i") se destacava. A semelhança dos sobrenomes franceses incomuns despertou a curiosidade do professor, que, a partir de então, entrou em contato, em Brusque/SC, com o marido de D. Carmem (ele, sim, verdadeiro descendente da linhagem Renaux), de quem obteve uma carta com informações preciosas a respeito da origem dos Renaux, além de nomes e datas importantes.

De lá para cá, passaram-se 30 anos de pesquisas, leituras, entrevistas e correspondências, em meio a idas e vindas à França, até que Marcílio desvendasse os mistérios da história de sua família, geração a geração. O fruto desse trabalho, incentivado pelo "desejo latente de conhecer mais os antepassados", segundo o professor, é um livro sobre as Origens da Família Reinaux, além da montagem da árvore genealógica dos Reinaux. Todos descendentes do comandante da Guarda Nacional Miguel Reinaux (filho de imigrantes franceses e bisavô de Marcílio), que representa o 'tronco' (ancestral) nordestino dos Reinaux instalados no Brasil.

Atualmente, o professor tem identificados 187 parentes diretos vivos, mais cerca de 60 agregados (esposos, esposas e filhos adotivos), que vivem em seis diferentes estados brasileiros, nos Estados Unidos e na Europa. A cada ano, desde 1990, eles se encontram numa grande festa, em clima de muita alegria, recordações, troca de presentes e brincadeiras. Também é nessa ocasião que são apresentados os integrantes da família que se encontravam desgarrados. "O último que achamos mora em Canhotinho e ficou deslumbrando porque não sabia que tinha essa infinidade de parentes", conta Marcílio. Para ele, tamanho levantamento genealógico representa "uma realização de vida". "Sem memória, sem elos e sem tradição não existe família. E é ela que, durante todos esses anos, tenho procurado preservar", diz, emocionado.

A genealogia é o estudo da origem das famílias, onde são identificados todos os seus membros, desde o passado até o presente, elaborando-se um gráfico com linhas e nomes que se espalham como galhos, formando a árvore genealógica ou árvore familiar. Apesar desse trabalho de pesquisa muitas vezes demorar décadas, compor uma genalogia abrangente (como fez o professor Marcílio, identificando antepassados, parentes colaterais, primos em vários graus e em diversos países), é uma atividade gratificante e envolvente, que tem despertado o interesse de milhares de pessoas em todo o mundo.

A tarefa não é das mais fáceis, mas não compete só a especialistas. Vontade, paciência, tempo disponível e senso de organização são alguns dos pré-requisitos dessa jornada, que inclui visitas a cartórios, igrejas e arquivos, com mergulhos em livros e papéis empoeirados. O genealogista se torna uma espécie de pesquisador, repórter e detetive na busca de datas, registros, brasões, sobrenomes e regiões por onde tenham passado seus ancestrais. À medida em que avança o trabalho, a relação de parentes se multiplica.

Henrique Simplício, 35 anos, já levantou mais de mil nomes, distribuídos em 14 gerações, desde 1540, quando seu ancestral Tussant Gurgel chegou ao Rio de Janeiro, vindo da Europa, pouco após o descobrimento do Brasil. De acordo com Henrique, o trabalho ainda não está nem na metade. "O problema é que você começa a gostar dos seus antepassados. E, aí, não pára mais", explica.

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Jornal do Commercio
Recife - 10.03.99
Domingo