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PROBLEMA O que se esconde por trás do medo por JULLIANA DE MELO Parada em frente ao elevador, imobilizada por algo que não sabia explicar, a professora Gerusa Macêdo, 50 anos, começou a passar mal, suar frio e sentir falta de ar. Enquanto isso, seu marido e filha insistiam para que ela parasse com a "frescura", porque eles estavam atrasados para uma palestra, que estava acontecendo no 11º andar de um hotel. Ir de escada, como sempre fazia, era, no mínimo, inviável. Foi então, que Gerusa reuniu forças e resolveu encarar a situação. Por pouco não desmaiou. Os familiares perceberam o pavor em seus olhos e se convenceram de que realmente ela tinha medo de elevador. Apesar de nunca ter procurado um especialista para descobrir a causa, Gerusa atribui seus medos à alguns traumas do passado, quando, durante a infância, seu pai a colocava de castigo em um quarto escuro ou, especificamente, na época que estava grávida do primeiro filho, quando numa brincadeira do ascensorista, ficou presa dentro de um elevador, o que resultou até em ameaças de aborto. "Sempre tive medo, mas era algo que eu podia controlar. Hoje, não tem quem me faça entrar novamente em um", assume. Com o empresário Valcir Luís Pinheiro, 38 anos, acontece a mesma coisa, mas seu medo é em relação a altura. "Não consigo chegar perto de uma sacada, nem mesmo subir numa cadeira para trocar uma lâmpada", confessa. Valcir já deixou de visitar alguns lugares por conta desse medo, como o bondinho no Rio de Janeiro e, certa vez, teve que tomar duas doses de rum para criar coragem e se sair de uma situação em público. O medo que Gerusa sente de elevadores e Valcir sente em lugares altos, não é um medo como outro qualquer, resultante de uma situação de perigo, mas um tipo de fobia desenvolvida por vários fatores estimulados durante toda a vida. A diferença entre o medo normal e a fobia é justamente que o objeto da fobia não representa nenhum perigo real, mas mesmo assim causa sofrimento e limitações significativas no desempenho social e profissional das pessoas. Segundo o psiquiatra Samuel Hulak, o medo pode passar a ser maléfico desde que a pessoa não saiba como gerenciá-lo. "A partir do medo, o indivíduo pode construir a cultura ou a doença, utilizando-o como uma situação de defesa. É só uma questão de saber lidar com as emoções e descobrir onde o medo realmente está". CAUSAS - As fobias estão entre os transtornos mais freqüentes nas áreas urbanas. Estima-se que de 10 pessoas, 3 tenham alguma fobia, índice superior a 10% na população maior de 15 anos. De transtornos psicológicos a fatores ambientais, biológicos, genéticos, emocionais e cognitivos, existem várias vertentes de explicações sobre as causas das fobias. O fator cognitivo, por exemplo, analisa o medo como uma reação normal de alerta, que todo ser humano apresenta diante de uma ameaça concreta. Nisso, o cérebro reage ao perigo liberando substâncias químicas que preparam o indivíduo a enfrentar, defender-se ou fugir da situação. No corpo, ele sente aceleração dos batimentos cardíacos e da respiração, sudorese, secura na boca, tensão muscular e tremores. O problema é quando a mesma reação de alerta começa a ser desencadeada automaticamente em determinadas situações onde o perigo não existe, gerando uma interpretação distorcida, nas quais as manifestações físicas são as mesmas e a sensação de medo pode chegar ao pânico. "Nesse caso, o fóbico passa a evitar essas situações, deslocando o medo ao objeto e desenvolvendo um comportamento condicionado", explica Samuel, acrescentando que a pessoa reconhece o quanto seu medo é excessivo, mas não consegue controlá-lo. TRATAMENTO - Existem vários tipos de fobias (ver quadro ao lado). Para isso, os psiquiatras estão aptos para fazerem o diagnóstico e tratamento adequado das fobias, que respondem bem com psicoterapias e medicação. A maior dificuldade, segundo o psiquiatra, é que as pessoas não assumem esse transtorno e acabam iniciando uma incessante busca em vários médicos, procurando uma solução para o corpo, quando, a cabeça é que necessita de atenção. Dentre os tratamentos mais utilizados está a terapia cognitiva comportamental (TCC). Nela, o fóbico é incentivado a enfrentar o seu medo, pouco a pouco. Ele aprende técnicas de relaxamento muscular e como respirar corretamente, afastando os sintomas de desespero, até que depois de muitas tentativas, em exposições graduais junto ao objeto ou situação de medo, consiga sozinho vencer a fobia. |
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