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Jornalista relata gafes cometidas durante entrevistas com o poeta por GENETON MORAES NETO* Lembro-me de três gafes dos meus encontros com João Cabral de Melo Neto. O meu primeiro contato com ele foi em 1973, no Recife, quando eu iniciava o meu trabalho como jornalista. A gente foi fazer uma matéria, e no aeroporto, na sua chegada, o fotógrafo pediu a ele para posar em frente a uma foto do Recife da Empetur. No momento em que ele posava, o fotógrafo perguntou se ele já conhecia a cidade do Recife. Anos depois, telefonei a ele pedindo uma entrevista, e sem saber da morte da primeira mulher dele. E ao atender, com aquela fleugma britânica, disse: "Minha mulher morreu ontem. Ligue outro dia". Outra vez, numa das viagens que ele fez ao Recife, hospedou-se na casa de um irmão, na praia, no início de Olinda. Marcamos às 11h, eu cheguei às 11h20. Ele, que me esperava como para a uma solenidade - me recebeu naquele verão, vestindo uma camisa de manga comprida abotoada até o pulso - me disse: "Você chegou com uma pontualidade nada britânica". * Geneton Moraes Neto é jornalista. Autor de Cadernos de Confissões Brasileiras, Dossiê Drummond e outros livros de reportagem |
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