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O pioneiro do anti-romantismo Conheci João Cabral numa época em que ele não falava de literatura nem de poesia, falava de futebol. Éramos vizinhos na Rua Fernandes Vieira. Em 1940 eu estava fazendo o primeiro ano do curso pré-jurídico e comecei a me interessar pela literatura graças a Moacir de Albuquerque, que foi inclusive quem me levou a ler Casa-Grande & Senzala. Na rua do Bom Jesus, fui à primeira reunião preparatória do I Congresso de Poesia do Recife, e tive a surpresa de lá encontrar João Cabral, que leu o seu ensaio Considerações sobre o Poeta Dormindo. Tive autografadas para mim por João Cabral as primeiras edições de Pedra do Sono e O Engenheiro. Disse a ele que preferia os poemas dessa fase de sua poesia. Sei de cor o texto que ele dedica a Joaquim Cardozo, que é o mais bonito de toda a sua obra poética. A primeira edição de Pedra do Sono foi prefaciada por Willy Lewin, na casa de quem (na rua do Cupim) realizou-se a segunda reunião preparatória do I Congresso. É um prefácio maravilhoso dele, que João Cabral considerava o seu curso superior. "Fui diplomado na biblioteca de Willy Lewin", ele costumava dizer. Tive muitos encontros com João Cabral e foram contatos sempre muito bons. Foi com um ensaio sobre a sua poesia que ganhei um concurso de ensaios promovido pelo Jornal de Letras, do Rio de Janeiro. Na época, ele me dizia que eu seria o grande crítico da poesia dele. Anos depois, passei a me dedicar à biblioteconomia, e disse a ele que, por isso, já não me sentia em condições de me expandir à crítica literária. A grande contribuição dele para a literatura brasileira é o seu anti-romantismo, anti-sentimentalismo, contra toda a inspiração. * Edson Nery da Fonseca é escritor e professor emérito da Universidade de Brasília |
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