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Fusão sem confusão GENEBRA - É tudo muito simples. A WorldCom, que havia comprado a MCI, segunda maior operadora de longa distância do mundo, agora engole a Sprint, terceira do ramo. Uma incorporação disfarçada de fusão, da ordem telúrica de US$ 129 bilhões - algo parecido com tudo o que o Brasil espera investir em telecomunicações na próxima década. A megafusão made in USA domina todas as rodas dos executivos de 76 países que participam da Telecom Geneva, aberta ontem no Palexpo de Genebra. A Sprint divide o mesmo estande com a Deutsche Telekom e com a France Télékom, as duas maiores empresas da Europa. Ambas dividem uma fatia de 20% do capital da Sprint americana. Uma aliança estratégica rotulada de Global One. Pois essa aliança, que permitia às duas gigantes européias uma cunha no mercado americano de US$ 240 bilhões, este ano, começa a ser desfeita. A Deutsche Telekom informou, ontem, que vai vender sua participação na Sprint, avaliada pelo mercado em US$ 7,7 bilhões. Os alemães dizem que não têm sinergia com a nova WorldCom, que passa a faturar perto de US$ 50 bilhões com 42 milhões de usuários em 65 países. Brasil no meio, via Embratel. CONCENTRAÇÃO - Comenta-se que a WorldCom, encaixando a base de celular da Sprint, ganha massa crítica para pisar nos calcanhares da AT&T e ousar grandes lances na Europa e na Ásia. Isso, claro, se a Federal Communications Comission (FCC), agência reguladora americana, ratificar a concentração WorldCom/MCI/Sprint. Decisão aguardada para até 15 de dezembro . Até lá, a Agência Nacional de Telecomunicação (Anatel) brasileira, clone da FCC americana, estará observando os movimentos da Embratel e da Intelig, esta espelho daquela. Em Genebra, desde domingo, Renato Guerreiro, presidente da Anatel, passou o dia de ontem explicando a executivos e a jornalistas de meio mundo quais são as regras do jogo aí no Brasil: a legislação brasileira proíbe a existência de duas operadoras sob um só comando empresarial. COMPOSIÇÃO - Resumindo: a Sprint tem 25% da Intelig, espelho da Embratel. E a Embratel é controlada pela WorldCom/MCI, nova dona da Sprint. Renato Guerreiro enumera: 1) a Embratel ou a Intelig terá de refazer a estrutura acionária; 2) ou a Sprint retira-se da Intelig, com sua fatia de 25%; 3) ou a WorldCom/MCI passa a Embratel nos cobres, dona que é de 100% do capital dela; 4) o mais viável é a Sprint (vulgo WorldCom/MCI) deixar a Intelig. Megafeira A Telecom Geneva é a maior feira de telecomunicações do mundo. Tão importante que só é realizada a cada quatro anos. E com patrocínio de gala: a União Internacional das Telecomunicações (UIT), sediada aqui em Genebra. Meio mundo Os quatro imensos pavilhões do Palexpo hospedam 2.722 expositores de 76 países. Conta-se, em seis dias, com a presença de 210 mil profissionais do ramo. Megafórum Além do show de sistemas, técnicas, processos, serviços, produtos, materiais e equipamentos, a Telecom Geneva capricha na agenda do Fórum 99. Participação de empresários, consultores, acadêmicos e investidores. Já chegou A pauta central do Fórum 99 é a explosão da Internet. Com painéis de sobra para a revolução mercadológica, a concentração das empresas e a desregulamentação dos mercados. Para o setor, o futuro é agora. |
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