LG_jc.gif (3670 bytes)

ENTREVISTA/ Dickson Franklin
"Vou entregar a Câmara enxuta"

Em um balanço positivo da sua atuação, o interventor da Câmara, tenente-coronel Dickson Franklin, garante ter equilibrado as finanças e melhorado a infra-estrutura da Casa. Nesta entrevista, ele diz que agora, tudo é uma questão de `gerenciamento'.

JORNAL DO COMMERCIO - Que balanço o sr. faz destes sete meses de intervenção na Câmara?

DICKSON FRANKLIN - Foi positivo. Não tínhamos gabinetes, hoje temos. Antigamente, pagava-se R$ 6,3 mil de verba de gabinete e mais R$ 4,5 mil de salário a cada vereador, sem que houvesse um local oficial de gabinete - como acontece em todas as Casas do Brasil. Cumpri o meu dever, dentro das limitações. Recebi a Câmara de Jaboatão com um débito de R$ 6 milhões (salários atrasados, água, energia). Hoje deixo R$ 1,5 milhão de dívidas com a Previdência, que foram herdadas do passado.

JC - Como está a situação de pessoal na Câmara hoje?

Dickson - Havia um quadro permanente de 537 servidores (ativos e inativos), com o qual se gastava R$ 412 mil/mês. Hoje são 236 ativos, 15 inativos e gasta-se R$ 102 mil/mês. Os comissionados eram 986, recebendo R$ 559 mil/mês e hoje são 88, com gasto de R$ 89 mil/mês.

JC - O sr. acha que resolveu todas as irregularidades na Câmara?

Dickson - Isso é uma questão de gerenciamento. A Casa está enxuta, apesar das retaliações do prefeito que garroteou o que foi possível. Se eu fosse entregar a Câmara hoje (ontem), deixaria um saldo de R$ 90 mil.

JC -Em relação ao prefeito, a questão foi política?

Dickson - Não sei que interesses escusos o prefeito teve ao reter a verba de duodécimo.

JC - O sr. está mantendo contatos com o Palácio do Governo no sentido de tentar algum recurso para reverter o fim da intervenção?

Dickson - Não. Minha expectativa é a mesma do governador. Se numa demanda jurídica houve suspensão, vamos acatá-la.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 12.10.99
Terça-feira