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CAMINHOS DO SERTÃO Aventura no Sertão Pernambucano por JULLIANA DE MELO
O passeio ao Vale do Catimbau, em Buíque, Sertão Pernambucano, requer, acima de tudo, disposição. Da saída à chegada, o grupo tem de superar imprevistos, dar a volta por cima e manter o bom humor, estado de espírito fundamental para esse tipo de passeio. Para reproduzir a aventura, passo a passo, montamos um diário de bordo com todo o roteiro. Confira: SAÍDA/RECIFE - Sábado, 14h, Praça do Derby. O grupo se concentra, aguardando a partida. Depois da chegada dos retardatários (é bom ir se acostumando com eles, porque estão sempre presentes nos passeios em grupo), tem início a viagem, em ônibus fretado. No meio do caminho, no Curado e depois em Caruaru, mais pessoas se integram ao grupo, que já está a todo pique entre canções e brincadeiras realizadas durante o percurso. PARADA ESTRATÉGICA - Sábado, 16h, Rodoviária de Caruaru. Hora de esticar as pernas, comprar alguma coisa que tenha esquecido, se abastecer de água ou ir ao banheiro. Pela programação, a próxima parada será já em Buíque, depois de mais de três horas de poeira na estrada. IMPREVISTO I - Sábado, 17h30, Belo Jardim. O coordenador da excursão dá um aviso ao grande grupo: o ônibus vai parar novamente, desta vez para trocar a correia do motor, que se partiu. Por pura sorte, no meio do caminho encontra-se um posto de gasolina e uma borracharia abertos. O que seria uma longa e monótona espera durante o conserto do ônibus torna-se um momento importante para conhecer um pouco mais os participantes. Tudo pronto, o ônibus dá a partida, até que alguém grita: "o que falta acontecer?". Nunca, jamais fale isso em viagens, pois tudo pode ocorrer. IMPREVISTO II - Sábado, 22h30, Buíque. Para quem pensava que o percurso estava chegando ao fim, um leve engano. Na praça central de Buíque, um dos pneus do ônibus fura. Detalhe: nenhum sinal de estpe. Ainda faltam uns 10 quilômetros até o Vale do Catimbau. O jeito é descer, conhecer o município e a população local. Tentativa frustrada: no interior, a população dorme cedo, e as casas já estão fechadas. Apenas meia dúzia de garotos jogam dominó na praça. Enquanto alguns reclamam do incidente, os mais otimistas resolvem relaxar. Improvisam aeróbica e quadrilhas, revivem brincadeiras de roda e dançam ao som do incrivelmente potente microsystem, funcionando à base de pilhas. Quem passa a pé ou de carro, pára para ver o que acontece. De uma hora para outra, a praça se enche de gente e os moradores saem de suas casas para participar da brincadeira. Até o prefeito manda um recado de boas-vindas aos turistas. Depois de três horas, o ônibus fica pronto e a viagem continua. DESTINO FINAL - Domingo, 0h, Paraíso Selvagem, no Vale do Catimbau. Para chegar ao Paraíso Selvagem, onde o índio Jurandir espera os visitantes, é preciso descer do ônibus no vilarejo de Catimbau. Como a estrada não é pavimentada, o acesso de ônibus torna-se desaconselhável. Uma caminhonete leva as bagagens e os aventureiros seguem a pé, andando 1,7 quilômetros, em plena madrugada, iluminando o caminho com lanternas. No Paraíso Selvagem, mais surpresas. As barracas e cabanas que o índio Jurandir, responsável pelo local, disponibilizaria para os visitantes já estão ocupadas por visitantes mais pontuais. O jeito, mais uma vez, é se virar. Quem trouxe colchonetes, acaba dormindo na gruta, protegido pelas rochas; quem trouxe barracas, trata de armá-las; e quem veio desprevenido, acaba se espremendo nas barracas. No final tudo termina dando certo, até porque nem todo mundo resolve dormir. Histórias contadas ao redor de uma fogueira improvisada ajudam a passar o frio de quase 18 graus e também as horas que faltam até o nascer do sol, aguardado com ansiedade. NASCER DO SOL - Domingo, 04h30, Vale do Catimbau. A paisagem começa a ser desenhada pela luminosidade, e o Vale do Catimbau vai surgindo lentamente, cercado por serras e grandes paredões rochosos. Antes do sol aparecer por completo, alguns integrantes escalam a serra de Jerusalém, com 170 metros de altura. De lá, o Vale é visto com amplidão, e o nome Paraíso Selvagem começa a fazer sentido. Arriscam-se gritos que ecoam pelo local. Terminado o "transe", é hora de voltar ao acampamento e compartilhar o café da manhã com o restante do grupo, que já começa a despertar. RAPEL NO SERROTE - Domingo, 9h, Vale do Catimbau. Enquanto algumas pessoas desarmam as barracas e arrumam as mochilas para o início da caminhada, outras, mais corajosas e experientes, se arriscam no rapel, esporte radical em que os praticantes descem paredões rochosos presos por cordas e uma parafernália de segurança. O local escolhido é o Serrote, com 50 metros de altura, equivalente a um prédio de 15 andares. Alguns aproveitam para praticar o esporte pela primeira vez. de 50 metros, o equivalente a um prédio de 15 andares. A aventura está mesmo começando. (J.M.) |
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