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CAMINHOS DO SERTÃO IV Buíque é conhecida por seus sítios arqueológicos Quem conhece o interior de Pernambuco, sabe que, muito mais do que regiões secas e sofridas, marcadas pelo descaso, o agreste e o sertão do estado guardam um cenário belíssimo, onde a vegetação e o clima transformam as paisagens, enchendo os olhos dos visitantes. Localizado no limite entre o Agreste e o Sertão (já neste último) o município de Buíque não é uma exceção. A cidade se destaca pela abundância de verde e pelo exótico vale das pedras e cavernas, lugar propício para as caminhadas. Só no Vale do Catimbau, por exemplo, destacam-se mais de dez trilhas (veja quadro na página 3) e cerca de 80 grutas, além de cemitérios pré-históricos e vários pontos de areias movediças e inscrições rupestres, entre gravuras e pinturas. Segundo o nativo Jurandir, para conhecer a área total do vale, formado por um complexo de serras, vales e rochas, distribuídos em 90 mil hectares, seria necessário, no mínimo, três meses de muito pé na estrada. Seja pelo clima de montanha, chegando no período de inverno a descer a 10 graus de temperatura, ou pelas formações geológicas, verdadeiras obras de arte esculpidas pela natureza, o lugar impressiona. Não é por acaso que muitas pessoas acreditam que o local emana uma energia diferente, sendo bastante utilizado para encontros místicos. Na Fazenda Porto Seguro, por exemplo, 33 famílias seguiam, há mais de 40 anos, o Sr. Sadabi Alexandri de Farias Rei, mais conhecido como "Meu Rei", falecido no início do ano. Os moradores continuam vivendo na fazenda antes coordenado por Meu Rei, conhecida como "Fazenda Metafísica e Teológica Princípio de um Reinado". Aguardam a chegada do terceiro milênio para que lá seja erguida a "civilização dos imortais". Acreditam que estão protegidos de qualquer mal, inclusive, um possível fim de mundo. Atualmente, no Vale do Catimbau, dois sítios arqueológicos vêm sendo objeto de estudo pelo Núcleo Arqueológico da Universidade Federal de Pernambuco: o Sítio Alcobaça, na serra do Cobaça, e a Pedra da Concha, no Sítio Aparecida. No primeiro, há indícios de ocupação intensa, com uma acumulação de registros - gravuras e pinturas - rupestres, destacando-se a presença de paredes cobertas por grafismos de tradição agreste e pinturas na rocha matriz, pintadas em períodos diferentes, com diversas técnicas empregadas, como pincéis finos, bastões de ocre, espátulas ou simplesmente os dedos. No segundo, é possível observar, na Pedra da Concha, um painel de 1,50 x 2,30m que apresenta pinturas em coloração vermelha. No município, encontra-se, também, a reserva indígena Kapinawá, onde, aos sábados, os índios realizam o Toré e dançam o samba de coco para os visitantes, em torno do Cruzeiro da Igreja de São Sebastião. Para quem curte um pouco mais de história, na vila de Guanumby, a 18 quilômetros do centro, reside um dos últimos sobreviventes do bando de Lampião. Candeeiro, ainda lúcido, conta histórias do cangaço e toda sua trajetória no bando até a morte do comandante. Buíque se destaca como um dos roteiros turísticos mais importantes do estado, mas não oferece muito conforto ao turista. A cidade possui uma infra-estrutura ainda fraca para recebê-los. Apesar de oferecer serviços urbanos básicos, Correios, postos telefônicos, delegacia de polícia, posto de saúde e hospitais, a oferta hoteleira é considerada precária e as opções de alimentação são populares. (J.M.) |
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