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ANTICONCEPCIONAIS
Os prós e os contras das pílulas

por MONA LISA DOURADO

Método contraceptivo utilizado por aproximadamente metade das mulheres jovens, a pílula anticoncepcional, independentemente da idade da usuária, pode agravar problemas de saúde preexistentes ou causar outros - como enfarte, acidente vascular cerebral (derrame) ou crescimento de um tumor não diagnosticado - se o seu uso não for acompanhado de uma orientação médica especializada. O alerta é do médico Olímpio Barbosa, chefe de obstetrícia da maternidade da Encruzilhada.

A importância da pílula está no fato de que ela inibe a ovulação e aumenta a dificuldade de penetração do espermatozóide no útero, representando um meio seguro e prático de se evitar uma gravidez indesejada. No entanto, segundo Olímpio Barbosa, o anticoncepcional hormonal combinado oral, nome científico da pílula mais conhecida - que é a composta por derivados sintéticos dos hormônios estrógeno e progesterona - pode provocar um certo aumento da pressão arterial, assim como potencializar o desenvolvimento de doenças cardiovasculares, pelo seu efeito coagulador, decorrente, principalmente, do estrógeno. "Antes de tomar a pílula, toda mulher deve se submeter a uma avaliação clínica preliminar para verificar a existência de possíveis fatores de risco para sua saúde", observa o médico.

Entre as contra-indicações formais ao uso da pílula estão: história de câncer de mama e de útero, doenças coronarianas, hepáticas ou cerebrovasculares, além de hipertensão grave, obesidade mórbida e diabetes. Por sua vez, o hábito do fumar combinado à pílula, especialmente em mulheres acima de 35 anos, é completamente proibido pelos médicos, uma vez que cria um alto risco de formação de coágulos, propiciadores de enfermidades cardiovasculares.

Durante a gravidez ou utilização de outros medicamentos, a prescrição de pílulas anticoncepcionais também não é permitida. No primeiro caso, porque ela pode ser responsável por uma má formação do feto. No segundo, porque pode haver diminuição do seu efeito contraceptivo ou redução da eficácia terapêutica do outro remédio. Já para as mulheres que estão amamentando recomenda-se o uso das chamadas minipílulas, compostas só por um derivado de progesterona, sem o estrógeno presente nas pílulas combinadas, que estanca a produção do leite.

Por outro lado, apesar de realmente apresentar certas contra-indicações e alguns efeitos colaterais - a exemplo de cefaléia, náuseas, depressão ou irritabilidade - o uso das pílulas também está cercado por tabus e exageros que precisam ser desmistificados. "É um absurdo dizer que a pílula causa depósito de massa no útero ou aumento de peso", esclarece a ginecologista Maria Helena Macedo, coordenadora do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros.

De acordo com a médica, a pílula também não é responsável pelo aumento de varizes, de estrias ou do tamanho da mama. A interrupção feita durante o uso, comum entre a maioria das mulheres, é outro mito, sendo, inclusive, desaconselhada pelos médicos, pois significa, sempre, uma nova adaptação após o período de pausa. "Não há necessidade de suspensão, desde que seja feito um acompanhamento regular de seis em seis meses. A pílula não provoca infertilidade definitiva como temem algumas pessoas mal informadas", diz.

Na verdade, além de permitir que a mulher desfrute de sua sexualidade sem arcar com as consequências de uma gravidez não planejada, as pílulas podem até apresentar uma série de outros efeitos considerados benéficos, como alívio das cólicas e das tensões pré-menstruais, regularização e diminuição do ciclo menstrual, proteção contra o câncer de ovário e melhoria da acne e da anemia.

Já existem no mercado pílulas de quarta e quinta gerações, com reduções significativas nas doses de hormônio, que praticamente anulam as reações adversas relevantes. Assim, a pílula anticoncepcional, hoje, pode ser recomendada para mulheres sadias e não fumantes até os 50 anos de idade. Mas vale lembrar que uma orientação médica adequada e a realização de exames clínicos básicos são indispensáveis para quem opta por esse método de prevenção da gravidez.

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Jornal do Commercio
Recife - 07.11.99
Domingo