bqfotool.gif (2761 bytes)
LG_jc.gif (3670 bytes) CB_brasil.gif (6025 bytes)
MP_brasil.gif (5256 bytes)
OPÇÃO
Divorciados já podem casar na igreja

por AUGUSTO PINHEIRO
AF

Divorciados, saídos de casamentos que não deram certo, o engenheiro civil José Carlos Trabulo, 37, e a publicitária Jacqueline Costa de Souza, 27, voltaram à igreja, no sábado da semana passada, para trocar alianças -e juras de amor.

Eles se casaram na Gruta de Santo Antônio de Catageró, na Vila Formosa, que pertence à Igreja Católica Apostólica Brasileira, uma entre as várias religiões no Brasil que realizam cerimônias de casamento para divorciados e viúvos, além, obviamente, de solteiros.

Criada em 1945 pelo bispo dom Carlos Duarte Costa, a religião é uma dissidência da Igreja Católica Apostólica Romana. "A igreja surgiu por várias discordâncias. Dom Carlos, por exemplo, era contra a celebração da missa em latim. Então, começamos a celebrar em português antes deles (católicos romanos) -e com o padre de frente para o povo, e não de costas, como era o costume", explica o padre Alexandre Garre, 46.

O conceito de casamento também era um ponto de atrito. "Nossa filosofia é que o casamento existe enquanto há amor. Muitos que não foram felizes no primeiro casamento podem ser tendo uma segunda chance. Mas isso não quer dizer que aconselhamos as pessoas a se casarem a torto e a direito", afirma.

A única exigência para a realização do casamento é que a situação civil dos noivos esteja regularizada na Justiça -ou seja, que o divórcio possa ser comprovado com documentos. Eles podem ser de qualquer religião.

Os padres e bispos também podem se casar. O padre Alexandre, por exemplo, é casado e tem dois filhos. "O sacerdote casado tem mais experiência para dar conselhos", acha.

A Igreja Católica Apostólica Brasileira é separada do Vaticano, não aceita o papa e tem um colegiado de bispos, em Brasília, que é a instância maior da religião.

O padre Alexandre diz que todo cuidado é pouco na hora de escolher uma religião que case divorciados. "Existem aquelas igrejas de um padre só. Muitas são inventadas, não são registradas em cartório, duram pouco tempo porque vivem de aluguel. Às vezes enganam as pessoas", adverte.

SEGUNDA CHANCE - José Carlos se casou pela primeira vez em 89, na Igreja Católica Apostólica Romana, que não aceita casamento entre divorciados, e há três anos, a relação "morreu". "Acabou o amor, ficou mais amizade", conta. O divórcio, por questões burocráticas, só saiu no mês passado.

Depois de oito anos casada com um PM -o enlace também aconteceu na Igreja Católica Apostólica Romana-, Jacqueline resolveu se divorciar porque não agüentava o "cotidiano nem um pouco normal". "Eu ficava com o coração apertado 24 horas por dia, com medo de que ele levasse um tiro. Minha casa chegou a ser invadida. Fui morar com a minha mãe, estava grávida de minha filha. Foi horrível", lembra Jacqueline.

José Carlos e Jacqueline se conheceram há três anos na empresa onde ele trabalha -ela era secretária. Decidida a casar na igreja novamente, ela procurou o telefone da Igreja Católica Apostólica Brasileira na lista telefônica, indicada por uma prima, e marcou uma visita.

"Quando cheguei lá, na Gruta de Santo Antônio de Catageró, levei um susto. Era a mesma igreja onde minha mãe tinha casado -meu pai também era divorciado- e onde fui batizada. O bispo Eduardo, que me recebeu, tinha celebrado meu batismo e, agora, vai realizar meu casamento", disse, na véspera da cerimônia.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 16.05.99
Domingo

bqfotool.gif (2761 bytes)