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REVELAÇÃO
Oceanógrafo Jacques Cousteau era anti-semita

PARIS - Uma carta do comandante Jacques-Yves Cousteau, que põe em evidência seu anti-semitismo, foi publicada ontem por um jornal francês. Esta carta foi divulgada publicamente no dia em que era lembrado dois anos de sua morte.

Numa carta dirigida a seu melhor amigo, em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o homem que se tornou um ilustre oceanógrafo e também o francês mais conhecido do mundo ataca os judeus, usando termos nada elegantes.

"Fora todos os imundos judeus que nos molestam", escreve Cousteau, queixando-se de não poder alojar convenientemente sua família na cidade de Marselha (Sul da França), porque os judeus haviam se refugiado no local.

A carta ao oficial Philippe Talliez, publicada pelo jornal popular "France-Soir", dois anos depois da morte do comandante Cousteau, foi encontrada por um biógrafo, Bernard Violet, que quis revelar "a face oculta" do oceanógrafo.

Talliez lembra também que o comandante Cousteau recebeu a Legião de Honra, a principal condecoração francesa, não devido a atividades de resistência, mas por seus serviços durante o regime colaboracionista de Vichy.

Cousteau começou sua carreira de oceanógrafo e cineasta durante a guerra e apresentou seu primeiro filme em 1943, em Paris, durante uma manifestação cultural patrocinada pelas forças de ocupação nazistas. Seu irmão mais velho, Pierre-Antoine Cousteau, condenado depois da guerra, era nessa época diretor de redação da "Je suis partout", uma revista colaboracionista e violentamente anti-semita.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.06.99
Sexta-feira