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NARCOTRÁFICO Pivô de crimes deixa a CPI algemado CAMPINAS, SP - A CPI do Narcotráfico prendeu na madrugada de ontem em Campinas, a 99 km de São Paulo, um personagem considerado pivô da indústria criminosa que atuava em São Paulo e envolvia policiais, empresários, assaltantes e traficantes. Artur Eugênio Mathias, ex-advogado e amigo pessoal do empresário William Walder Sozza - apontado pelos deputados como chefe da quadrilha em São Paulo-, está preso no Quartel da Polícia Militar de Campinas. Mathias é acusado de formação de quadrilha e corrupção ativa. Dois depoimentos prestados de forma reservada anteontem, durante os trabalhos da CPI, reforçaram o pedido de prisão de Mathias feito pela comissão à Justiça Federal e concedido pelo juiz-corregedor Paulo Eduardo Sorci por 30 dias. Uma das testemunhas - um chapa (pessoa que ajuda motoristas de caminhão) preso quando descarregava mercadoria roubada - disse à CPI que Mathias se apresentou para defendê-lo sem que ele solicitasse. Outra testemunha - um policial militar - disse aos deputados que Mathias tentou suborná-lo. Os nomes das testemunhas não foram divulgados. Antes da prisão, Mathias tentou fazer um acordo com os deputados. Propôs contar o que sabia em troca de sua liberdade. Admitiu que tinha informações sobre o esquema de roubo de cargas e da participação de policiais. Os detalhes da conversa foram mantidos em sigilo. A proposta de Mathias apresentada por volta da 1h de anteontem dividiu os deputados. Alguns deles acharam que a oferta do advogado era minúscula perto do que acreditam que Mathias tem para revelar. A aposta dos deputados é que alguns dias de prisão façam o advogado contar muito mais do que tinha oferecido. Antes de ser preso, Mathias foi colocado frente a frente com dois de seus acusadores. Um deles é o motorista Jorge Meres, principal testemunha da CPI até agora. O outro é o ladrão de cargas Gilmar Leite Siqueira, que atuava na região de Campinas. Os dois afirmaram que Mathias seria um dos organizadores dos roubos de carga e que era ele quem subornava policiais para liberar produtos roubados. Meres contou inclusive que uma vez foi preso em São Paulo com uma carga de cigarros roubados e foi liberado após a chegada de Mathias. O advogado teria saído do Distrito Policial da capital com a carga roubada. |
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