ESPETÁCULO
Um espírito baixou em
mimpor JANAÍNA LIMA
O velho ditado: "Política,
futebol e religião não se discutem" tenta esconder
a forte tendência brasileira de se falar de tudo. Dita
quase sempre para apaziguar o bate-papo quando os ânimos
dos interlocutores está um tanto alterado, a frase
encerra a tentativa de petistas e pefelistas,
evangélicos e católicos e rubro-negros e tricolores de
chegar a um consenso. Afinal, o time do coração nunca
será abandonado pela torcida, nem que passe para a
terceira divisão. De certa forma, tudo isso tem a ver
com a peça Boom!, que o ator e diretor Jorge Fernando
apresenta neste final de semana no Recife.
"Não levanto bandeira de nenhuma
religião. Sou espírita, `recebo' oito persongens
durante o espetáculo, mas não tento catequizar
ninguém, apenas proponho que o público faça a sua
revisão de vida, cada um a sua maneira", sintetiza
o cuidadoso Jorge Fernando, que é dirigido em cena por
Marcus Alvisi, premiado pela direção do monólogo
Diário de um Louco, com o competente Diogo Vilela.
O texto de Boom! é assinado por Luís
Carlos Góes e conta as experiências do professor
Rabelo, paranormal atormentado por diversos espíritos:
Ney Luiz, desencarnado enquanto dormia; a cantora lírica
Maria Callas; uma bailarina de can-can que morreu em
pleno Moulin Rouge, mas pensa ainda estar viva, são
alguns dos personagens incorporados durante a peça.
"São todos espíritos alegres, do bem",
assegura Jorge Fernando.
O desempenho do ator (que dança e
canta em cena) vem arrancando elogios da crítica,
principalmente pelo domínio do público, que durante a
encenação obedece a todos os comandos do protagonista.
"Estou fazendo o que sempre gostei, brincando com a
platéia e, ao mesmo tempo, passando uma mensagem. O
texto tem essa coisa de falar da morte de uma forma leve
e ainda despertar nas pessoas a consciência de que
ninguém é eterno, a vida é curta e a gente não pode
esquecer disso". Estão ainda no elenco da peça
Carolina Rabelo e Marcelo Barros.
CORRERIA - Estrelar uma comédia
foi a melhor opção encontrada pelo ator para comemorar
os 25 anos de atividades em teatro, TV e na direção de
espetáculos. "O bom mesmo é atuar no palco e fazer
direção para TV e shows", garante. Mas satisfazer
todo esses desejos não é fácil. Atualmente, Jorge
Fernando dirige Vila Madalena, nova novela das 19h da
Globo, no Rio de Janeiro; prepara-se para estrear o novo
show de Elba Ramalho esta semana, em São Paulo, ainda
consegue tempo para percorrer as principais capitais do
país com as mil faces do professor Rabelo.
"Agora é que eu vou ver como vou
organizar tudo isso, já que antes da estréia da novela
dei uma parada na turnê da peça. Estamos retomando com
esta ida a Recife, mas pretendo ficar com os finais de
semana livres para não interromper a turnê",
explica o diretor, que não esquece uma apresentação
realizada na Livro 7, há mais de 20 anos. "Foi bem
no início da minha carreira, apresentei a peça O
Zoológico, com um grupo do Recife, do qual fazia parte o
ator Marcelo Barros", conta.
Sobre Vila Madalena, Jorge Fernando se
diz desligado do ibope. "O clima no estúdio está
bárbaro, todo mundo no maior astral. Não me preocupo
com a audiência da novela. Quero fazer um bom trabalho,
voltado para o público que curte assistir novela. Acho
que é isso que tem que conduzir o diretor".
Serviço:
Boom! - sexta e sábado, 21h;
domingo, 20h, no Teatro do Parque, Rua do Hospício, 81,
Boa Vista, fone: 423.6044. Ingressos: R$ 20,00 (inteira)
e R$ 10,00 (estudantes), à venda na bilheteria do teatro
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