VÍDEO II
Metáfora americanaPergunta: por que Hollywood produz tantos filmes
sobre tribunais?. Simples. Há uma forte identificação
entre os dois universos: atores e advogados; roteiros e
processos; bilheteria e idenizações. A emoção sempre
em julgamento. A Qualquer Preço (A Civil Action, CIC/
Paramount) nada mais é que um exemplar explorando esse
filão.
Usando os mesmos questionamentos,
dramas e conflitos, aplicados aos diferentes casos que
apenas a cultura ianque consegue multiplicar, A Qualquer
Preço funciona como um real dossiê à analogia Direito
versus cinema. Baseado em fatos reais, o filme se centra
na figura do advogado John Travolta, de uma firma
especializada em ações milionárias por danos físicos
e perdas morais. Sócio e empresa são postos à prova
contra duas companhias, acusadas de provocarem a morte
por leucemia em crianças de uma pequena cidade.
O longa inicia preocupado em mostrar o
showbiz que forma os casos milionários do Direito
americano. Mas toma um rumo coerente, fazendo jus ao
delicado problema. Peca, ao optar por diálogos tão
rápidos quanto confusos, e por uma narrativa que culmina
em tom de telefilme.
Outro entrave é o desenvolvimento todo
em cima de Travolta. Tanto que os verdadeiros
protagonistas, os moradores do local, não são sequer
aprofundados. Ainda assim, Travolta não `decola' e, por
conseguinte, não rouba a cena. Melhor para os ilustres
coadjuvantes Robert Duvall, William H. Macy, Sidney
Pollack, Dan Hedaya e Kathy Bates, que não ficam tão
obscuros quanto requer a publicidade.
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