LG_jc.gif (3670 bytes)

VÍDEO II
Metáfora americana

Pergunta: por que Hollywood produz tantos filmes sobre tribunais?. Simples. Há uma forte identificação entre os dois universos: atores e advogados; roteiros e processos; bilheteria e idenizações. A emoção sempre em julgamento. A Qualquer Preço (A Civil Action, CIC/ Paramount) nada mais é que um exemplar explorando esse filão.

Usando os mesmos questionamentos, dramas e conflitos, aplicados aos diferentes casos que apenas a cultura ianque consegue multiplicar, A Qualquer Preço funciona como um real dossiê à analogia Direito versus cinema. Baseado em fatos reais, o filme se centra na figura do advogado John Travolta, de uma firma especializada em ações milionárias por danos físicos e perdas morais. Sócio e empresa são postos à prova contra duas companhias, acusadas de provocarem a morte por leucemia em crianças de uma pequena cidade.

O longa inicia preocupado em mostrar o showbiz que forma os casos milionários do Direito americano. Mas toma um rumo coerente, fazendo jus ao delicado problema. Peca, ao optar por diálogos tão rápidos quanto confusos, e por uma narrativa que culmina em tom de telefilme.

Outro entrave é o desenvolvimento todo em cima de Travolta. Tanto que os verdadeiros protagonistas, os moradores do local, não são sequer aprofundados. Ainda assim, Travolta não `decola' e, por conseguinte, não rouba a cena. Melhor para os ilustres coadjuvantes Robert Duvall, William H. Macy, Sidney Pollack, Dan Hedaya e Kathy Bates, que não ficam tão obscuros quanto requer a publicidade.

-----------------------------------------------------------------------


Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira