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TRAGÉDIA DO ÉRICKA
CEF quita saldo devedor de 4 mutuários

O destino dos ex-moradores do Edifício Éricka, que desabou parcialmente na madrugada de sexta-feira passada, com saldo de quatro mortos e sete feridos, continua incerto. Ontem, durante a primeira reunião com representantes da construtora do prédio, a Ferro Construções, Prefeitura Municipal de Olinda (PMO) e Caixa Econômica Federal (CEF), na Secretaria de Planejamento do município, apenas quatro dos oito proprietários que tinham imóveis financiados pela CEF saíram com respostas concretas. A gerente da agência Olinda, Fernanda Coelho, disse que eles terão o saldo devedor quitado. Ela pediu que os moradores beneficiados procurassem a CEF para formalizar o pedido de indenização.

As outras exigências, como moradia, apoio jurídico e psicológico, além de ajuda financeira, ficaram de ser analisadas pela PMO. O secretário de Políticas Sociais, Carlos Castro, marcou uma nova reunião para hoje, às 8h, a fim de anunciar medidas emergenciais.

Durante a reunião, os moradores responsabilizaram a construtora, a CEF e a PMO pela tragédia. O clima ficou pesado depois que o advogado da incorporadora, Rogério Batista, disse que a firma estava “solidária” com as vítimas. “Não recebemos nem um telefonema deles. Como é que agora dizem que estão solidários? É muita cara de pau”, reclamaram. Rogério Batista disse que aguarda o laudo para tomar as providências cabíveis. “Não vamos assumir responsabilidades isoladamente. Não nos comprometemos a atender nada antes disso”, afirmou.

Após a reunião, os moradores voltaram ao prédio para tentar encontrar objetos nos escombros. O engenheiro químico Tadeu Pereira, que perdeu a mulher e dois filhos, separou roupas, brinquedos e fotos da família. “Vou querer uma lembrança de cada um”.

A comerciária Valéria Teixeira, que morava no térreo, ainda tinha esperança de recuperar vários discos de vinil que estão em um armário de madeira. “São pedaços da nossa vida. Lá está o meu primeiro disco, de Benito de Paula”.

O filho do síndico, Vítor Nunes, 9 anos, que chegou a ficar preso por 20 minutos no apartamento dos pais enquanto o resto do prédio desabava, recebeu um presente especial, ontem. Um envelope com mais de 30 mensagens dos colegas de escola. “Eles dizem que estão sentindo muito a minha falta, pedem para que eu volte logo e tenha fé”, comentou.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira