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ENCONTRO
Fórum debate drogas em penitenciária

No último dia do I Fórum Pernambucano Sobre Consumo Indevido de Drogas, o destaque foi uma reunião paralela para tratar do consumo no sistema penitenciário do Estado. De acordo com o secretário de Justiça, Humberto Vieira de Melo, essa foi a primeira reunião formal, patrocinada pelo Estado, para discutir, abertamente, o problema. Todos os diretores de presídios compareceram. Também estiveram presentes seis detentas da Colônia Penal do Bom Pastor, represtando as populações carcerárias.

"Nós aproveitamos a presença de alguns especialistas para discutir o tema", explicou o secretário. Há pouco mais de um mês, a Secretaria de Justiça começou a desenvolver um programa de capacitação de agentes sociais, recrutados entre os detentos, para atuar no combate ao uso de entorpecentes dentro dos presídios. O trabalho começou na Colônia Penal Feminina do Bom Pastor e já foi estendido para o Centro de Recolhimento de Adolescentes de Paratibe. Das 136 presas da Colônia, 45 estão sendo capacitadas para participar do projeto. Caberá a elas conscientizar as companheiras sobre os riscos que o uso de drogas oferece. "Hoje podemos dizer que o consumo de maconha dentro dos presídios chega a quase 100 por cento", revelou Humberto.

Apesar das estimativas do secretário, ainda não há informações precisas sobre a questão. "Só podemos diagnosticar o problema se houver levantamento da quantidade consumida", advertiu o psicanalista paulista Dartiu Xavier. Juntamente com o colega pernambucano, Evaldo Melo, ele sugeriu que o programa seja levado para outras unidades carcerárias e que sejam criados programas-piloto, abrangendo as áreas de prevenção, redução de dano, capacitação e tratamento. "O grande avanço das discussões foi o reconhecimento de que há drogas nos presídios", acredita Evaldo Melo. Na opinião do secretário de Justiça, a conclusão a que se chegou no Fórum foi que a prevenção é mais importante que a repressão, porque atinge a demanda das drogas. "É preciso educar as pessoas para afastá-las do" consumo", afirmou.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira