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CONFERÊNCIA
Brasil sai na frente e pede adoção de metas

por CIARA CARVALHO

Brasil quer a adoção de metas mundiais específicas para o combate à desertificação nos países afetados pelo problema. A delegação brasileira está se articulando nos bastidores para aprovar, no final da 3ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP-3), o Mandato do Recife - um documento endossado por países ricos e pobres sugerindo a aprovação dessas metas já na conferência do próximo ano, que será realizada na Ásia. A idéia é estabelecer ações nas áreas de energia, recursos hídricos, reflorestamento, recuperação de solos e biodiversidade que possam ser executadas até o ano 2010.

Com a proposta, o governo brasileiro sai na frente ao defender a mesma reivindicação das organizações não-governamentais que participam da conferência. Logo no primeiro dia do encontro, as ONGs propuseram a elaboração de um protocolo internacional estabelecendo metas e prazos a serem cumpridos pelos países signatários da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação. A criação do protocolo foi a forma que as instituições encontraram para cobrar a implantação de medidas concretas para enfrentar o problema.

O diretor-geral do Departamento do Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores, ministro Antônio Guerreiro, chefe da delegação brasileira, afirmou que a definição das ações prioritárias poderá servir até como mecanismo de avaliação da própria conferência da ONU. "Como hoje não existem definições de metas a serem cumpridas pelos países, o texto da conferência termina ficando um pouco frouxo. E isso compromete a implantação de ações práticas nas áreas onde ocorre a desertificação", justificou. O Mandato do Recife vai sugerir que a definição das metas fique a cargo de uma equipe de técnicos escolhida pelas Nações Unidas.

RECURSOS - O ministro Antônio Guerreiro afirmou que há uma expectativa grande entre os delegados da conferência de que os Estados Unidos ratifiquem a Convenção de Combate à Desertificação até o próximo ano, quando ocorrerão as eleições presidenciais americanas. "O que se comenta nos bastidores é que o Senado americano deverá aprovar a convenção, até para afastar a idéia de que o país não se preocupa com as questões ambientais", avaliou.

O chefe da delegação brasileira explicou que o fato de a conferência, hoje em dia, não estabelecer metas específicas de combate à desertificação também facilita a adesão dos EUA. "Como não existe definição de ações e prazos determinados, ficaria menos oneroso para os americanos participarem da convenção", observou Guerreiro. Pelas contas das Nações Unidas, seria necessário um investimento de US$ 22 bilhões, num período de 20 anos, para combater o problema da desertificação no mundo.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira