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CONFERÊNCIA IV
Unesco inclui Sertão em estudo mundial

A situação do Semi-Árido brasileiro será retratada num kit sobre educação ambiental e desertificação que a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) está preparando para ser lançado, em nível mundial, no próximo ano. Dos cinco estudos de caso que serão apresentados no kit, um será centrado no Nordeste, provavelmente no município de Gilbués (PI) - um dos quatro núcleos de desertificação do Brasil. Os outros casos serão escolhidos de países da África, Ásia, Oceania e América do Norte. O kit será traduzido em quatro línguas - inglês, francês, espanhol e português - e terá um caráter didático, para ser distribuído nas escolas, sobretudo dos municípios atingidos pelo problema.

O coordenador de Meio Ambiente da Unesco no Brasil, Celso Schenkel, explicou que a confirmação da região brasileira que será incluída no kit deverá acontecer nos próximos meses. "Em princípio, as áreas dos quatro núcleos poderiam ser retratadas. Mas, pelo processo acentuado de desertificação verificado em Gilbués e considerando os estudos já realizados na região, o município aparece como uma opção bastante interessante", justificou.

O material será composto de um guia para professores e outro para adolescentes, cinco estudos de caso (um de cada continente), além de cartuns contando o que é desertificação, seus efeitos e como o fenômeno pode ser evitado. "Queremos incluir o tema desertificação na sala de aula, como forma de conscientizar as crianças e os jovens quanto ao impacto do problema em suas comunidades", afirmou Schenkel.

PÚBLICO-ALVO - O representante da Unesco explicou que a linguagem do kit é direcionada principalmente aos jovens porque eles têm um papel importante na transmissão das informações que envolvem o combate ao fenômeno. "Em geral, essas pessoas são mais abertas para entender o problema. Além disso, elas já estão trabalhando com a terra e podem sentir, na prática, os efeitos da desertificação", destacou.

Num primeiro momento, o kit terá uma tiragem de 12 mil exemplares, sendo três mil em cada língua. "No caso da tradução em português, além do Brasil, os países africanos que falam o idioma também vão receber o material", explica o representante da Unesco. O custo do projeto está orçado em cerca de US$ 300 mil e será financiado pelo Ministério das Relações Exteriores da Itália. (C.C.)

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira