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LITERATURA
Romance "intraduzível" de Joyce ganha versão em português

por MÁRIO HÉLIO

Faz sessenta anos que o escritor irlandês James Joyce publicou a mais difícil obra já escrita no Ocidente: o romance Finnegans Wake. O livro incomodou até os admiradores do escritor, que já havia chocado meio mundo com Ulisses, que narra as 18 horas na vida de um homem comum de Dublin, às voltas com a falta de dinheiro e as traições da mulher. A censura americana chegou a proibir o livro, por obscenidade.

Joyce levou 17 anos escrevendo o Finnegans Wake. No romance, que tenta reconstruir o estado complexo da linguagem do sonho de toda a humanidade, encontram-se os processos usados em suas narrativas anteriores ainda mais radicalizados. Não está escrito propriamente em inglês, mas numa mistura, calculada, de diversas línguas e mitos. É obra por assim dizer considerada intraduzível. Mas o helenista Donald Schüler resolveu fazer o que parecia impossível: recriá-lo em português. Até agora, só se conhece uma tradução completa do romance - em francês. O acontecimento no Brasil é, portanto, de importância internacional, e está obtendo a colaboração, inclusive, do neto de Joyce, Stephen.

Ousadia sobre ousadia, a obra será lançada, no Recife, com o patrocínio da União Brasileira de Escritores. O presidente da UBE, Flávio Chaves, aceitou o desafio e promove uma noite de autógrafos com a presença do tradutor. A iniciativa é da Casa de Cultura Guimarães Rosa, sediada em Porto Alegre. Tudo está sendo coordenado em Pernambuco pelos professores Antonio Mota e Teodora Oliveira, de quem o JC Cultural publica ensaio inédito a respeito, além de trechos da obra e comentários do tradutor.

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