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LITERATURA VI
Joyce acaba o romance e subverte a sua sintaxe

por ANTONIO MOTA

Já prenunciado no "Ulisses", em 1922, "Finnegans Wake", publicado em 1939, representa, de fato, não somente a grande ruptura na escrita joyceana, mas, sobretudo, marca o fim do romance como até então fora concebido na tradição realista ocidental, desde Defoe, Fielding, Dickens, até Balzac, Stendhal, Flaubert.

Além disso, o Joyce de "Finnegans Wake", tal como Marcel Duchamp, de "A Noiva Despida Por Suas Amigas Solteiras, Mesmo", juntamente com Arnold Schoenberg, do sistema dodecafônico, encara, sem dúvida, o que se produziu de mais radical e sofisticado em matéria de vanguarda neste século.

Não por acaso que grandes mestres, como diria Ezra Pound, do porte de Virginia Woolf e William Faulkner, não conseguem, em suas obras, disfarçar a sedução pela técnica do monólogo interior, legatários joyceanos da leitura do "Ulisses", mas é com "Finnegans Wake" que vai-se operar na literatura uma espécie de revolução no plano sintático da língua (no sentido de subversão da sintaxe), e, em menor proporção, no semântico.

Desnecessário mencionar as inúmeras influências de Joyce sobre importantes escritores deste século. Basta lembrar os casos mais evidentes: Guimarães Rosa, Carlo Emilio Gadda, Guillermo Cabrera Infante, Claude Simon. A tradução transcriativa de "Finnegans Wake", que vem sendo realizada com bastante afinco por Donaldo Schüler, transformar-se-á em acontecimento de máxima importância para a língua portuguesa, similar ao aparecimento de "Ulisses", na bela tradução de Houiass.

* Antonio Mota é antropólogo

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