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CONJUNTURA
FHC cobra responsabilidade contra a volta da inflação

ROMA - O presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu ontem, na Itália, estar preocupado com a repercussão dos recentes aumentos das tarifas públicas e dos combustíveis nos demais preços da economia brasileira. Apesar disso, o presidente afirmou que não está disposto a reverter a atual política de redução das taxas de juros, uma hipótese que preocupa o empresariado nacional e já estava sendo encarada como uma ameaça do Governo frente aos aumentos de preços.

O presidente aproveitou a oportunidade para cobrar responsabilidade do empresariado nacional diante do risco de volta da inflação no país. Segundo ele, é necessário que não só o Governo, mas também os empresários e os consumidores tenham consciência de que é preciso evitar a inflação. No início da semana, durante sua viagem a Cuba, o presidente afirmara que os empresários têm de entender que não é o momento de ficar aumentando os preços porque se aumentarem os preços, aumentam os juros. "Eu não fiz ameaça alguma. Disse a realidade: quanto menos altos forem os preços, menor for o risco de inflação, mais depressa se baixam as taxas de juros. Todo mundo quer baixar a taxa de juros. Eu também quero" disse Fernando Henrique ao desembarcar.

O presidente não concorda com a avaliação que vem sendo feita por alguns empresários e analistas de que parte da pressão sobre os preços tenha sido provocada pelo próprio Governo, tendo em vista os aumentos de produtos com preços administrados como é o caso das tarifas públicas e dos combustíveis.

"É verdade que alguns preços administrados subiram. Mas isso não pode servir de pretexto para que haja um contágio de outros preços. Não estou ameaçando ninguém, mas simplesmente pedindo que todos tenha consciência de que subir um preço não seja traduzido pela elevação de outro preço. Se o Governo, os empresários e o consumidor tiverem juntos essa consciência, que temos, de que é preciso evitar a inflação de toda maneira, não vamos ter inflação nenhuma", assegurou o presidente.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira