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Comunidade e horda Mais uma vez, voltamos ao tema. É grave e não dá para tolerar. As autoridades não podem continuar contemporizando com a pura baderna em que se transformaram algumas manifestações de membros do MST, inspiradas por líderes geralmente com-terra e profissionais da agitação, em busca de promoção pessoal e carreira na política. A ocupação indevida e ilegal de um prédio público na Avenida Guararapes, precedida de quebra-quebra e seguida de destruição de documentos, jogados pela janela, não tem nada a ver com reforma agrária ou urbana. Declaradamente, trata-se de sem-teto; mas estão lá as indefectíveis bandeiras do MST, que rapidamente vão se tornando símbolos, não da justa luta pela reforma agrária, mas da desordem simplesmente. Já duas vezes, este ano, os líderes do movimento mandaram seus liderados ocupar o trecho da Avenida Rosa e Silva em frente à sede do Incra; da primeira vez, por mais de um mês, infernizando a vida de moradores e transeuntes, que não podem ser responsabilizados, nem pela desídia e inépcia do governo, nem pelos problemas criados pelo latifúndio, nem pelo da falta de moradias urbanas. Ao contrário, são vítimas que penaram para comprar seu imóvel e têm direito a viver ali e transitar pela rua, sem o constrangimento de ter que enfrentar a sujeira e falta de higiene provocadas por ato impensado de líderes no mínimo equivocados. Por sua vez, os ditos sem-terra, muitas vezes arrebanhados na priferia das grandes cidades e que nunca pegaram numa foice ou numa enxada, merecem respeito e não podem ficar expostos em um como que zoológico humano, pra satisfazer ambições de seus mentores. Já se tornaram rotineiras, em todo o país, invasões de propriedades produtivas e bem equipadas; de apartamentos em final de construção, nas cidades, pagos com sacrifício por seus adquirentes. E não são apenas invasões; são depredações. Como vândalos, os invasores não gostam de deixar pedra sobre pedra: soltam o gado ou dele se apropriam, destroem imóveis, danificam, quando não roubam, equipamentos, ferramentas, máquinas. Ameaça de morte, morte, cárcere privado, também fazem parte do arsenal de arbitrariedades e ilegalidades, fomentadas e abençoadas pelos líderes. Na cidade, deixam os imóveis, quando deixam, totalmente depenados. E não constroem nada. Ora, supõe-se que reforma agrária é algo para construir, produzir. Ou será que o objetivo do MST não é a reforma agrária? Quais seriam, então, seus reais objetivos? Boa pergunta a ser respondida por nossos `arapongas', que se comprazem somente em se enrolar em fios e fitas, e em bisbilhotar a vida alheia, como fazia o velho SNI. Diante de tudo isso, continuam tímidas e ineficazes as iniciativas dos poderes públicos, seja para fazer realmente uma reforma agrária abrangente e modernizante, seja para prevenir, coibir e reprimir desmandos e desatinos praticados em nome de uma bandeira justa, que só tem contra ela latifundiários e especuladores. As forças policiais não previnem invasões previsíveis e, quando decidem agir, às vezes provocam tragédias como a de Eldorado dos Carajás. As sentenças de reintegração de posse demoram a sair e, enquanto isso, os prejuízos dos proprietários são freqüentemente irrecuperáveis. Por outro lado, a ação da polícia (quando ela age), de milícias e capangas resulta em injustiças como agressões a trabalhadores rurais, tortura, morte, destruição de roçados e casas. Temos o direito de exigir do governo, que tem o dever de zelar pela lei, a paz, a ordem pública, que leve rapidamente à Justiça os responsáveis pela ilegalidade sistemática. A atual condescendência só estimula a desordem. A prática da ilegalidade, seja da parte da autoridade, ou dos sem-terra, ou de quem quer que seja, é intolerável e não pode prosseguir. Os trabalhadores rurais, os favelados urbanos, não devem submeter-se a líderes que querem vê-los não como comunidade, e sim como turba indisciplinada, horda. |
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