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A maré está para caranguejo por JANAÍNA LIMA Martelinho, tábua e uma boa dose de paciência são instrumentos indispensáveis a todo comedor de caranguejo que se preze. É preciso ser bom mecânico: bater de leve, mas com precisão (se for com muita força, esmigalha tudo), para retirar da carcaça de quitina a carne branquinha e de gosto incomparável. Vários bares vêm se especializando em saciar o desejo dos pernambucanos pelo crustáceo. Com nomes começados (ou terminados) por guaiamum ou caranguejo, estas casas têm em comum o ambiente informal e o cardápio completado por outras delícias do mar. E, a julgar pelas filas que se formam em algumas das casas do gênero, nos finais de semana, a maré está mesmo é para caranguejo. "Sou cliente assíduo, freqüento o bar desde a época da Jaqueira", explica o estudante de medicina José Henrique, que não passa um fim de semana sem dar uma parada no bar Guaiamum Gigante. A mania contagiou a namorada Érika Vanessa, que já chegou a esperar, junto com o namorado, durante meia hora para conseguir uma mesa no local. "Vale a pena, o casquinho daqui é maravilhoso", afirma. Transferido para o bairro do Parnamirim, há 13 meses, o local tem capacidade para 450 pessoas e é um dos mais antigos do gênero, na cidade, funcionando há seis anos. "É trabalhoso manter um restaurante deste tipo, porque temos que trazer nossa mercadoria de longe. Não é como carne de boi, que você encontra em qualquer supermercado", ressalta Soraya Falcão, que administra o Guaiamum Gigante, juntamente com o marido, Cristiano. "Por aqui não encontramos mais caranguejo e guaiamum, as pessoas já comeram tudo", brinca Cristiano. Para atender a demanda da casa, que numa sexta-feira chega a vender 600 unidades dos crustáceos, os donos do bar trazem da cidade de Canavieiras, na Bahia, semanalmente, 1.200 guaiamuns e 700 caranguejos. "Trazíamos de Fortaleza, mas agora nem lá encontramos mais em quantidade. Aqui, na Paraíba e em Alagoas é ainda mais difícil de arranjar", continua o proprietário, que contratou três pessoas (munidas de rádio portátil) só para organizar a fila de entrada. "Quando a fila está muito grande, mandamos casquinhos e pratinhos de camarão para as pessoas não desistirem de esperar lá fora", acrescenta Soraya. Duas presenças constantes na fila do Guaiamum Gigante são as amigas Suely Cristina e Mônica Silva. Apesar de irem juntas ao local, a amizade fica de lado na hora de fazer o pedido. "Só gosto de caranguejo. Não como guaiamum, pois acho que a carne tem sabor adocicado", explica Suely. Já Mônica come os dois tipos, mas prefere guaiamum. "É maior que o caranguejo e mais gostoso", defende. Apesar da predileção por guaiamum, em casa, Mônica belisca uns caranguejos. "Costumo comprar cordas de caranguejo e fazer em casa, já que o guaiamum não é tão fácil de encontrar". Se no bar, a disputa é com a amiga Suely, em casa, Mônica enfrenta o desdém do marido, Henrique. "Dá muito trabalho, prefiro mesmo é um bom pedaço de carne", confessa o advogado, que, mesmo assim, acompanha a esposa aos bares especializados. Para não dizer que não come caranguejo de jeito nenhum, Henrique admite que, às vezes, prova uma patola. "Daquelas empanadas, ou um casquinho, muito raramente". |
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