![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
ENTREVISTA/ Jack London "Acabou a ditadura do preço fixo" O carioca Jack London, 50 anos, é um homem que acredita na Internet. Tanto que, nos últimos quatro anos, investiu na Rede quase R$ 1,2 milhão. Primeiro lançou o BookNet, primeira livraria digital do país, e, há dois meses, colocou no ar o Valeu, especializado em leilão virtual. Em entrevista ao JC, London admite que a Internet é insegura; diz que as compras online ainda engatinham no país e justifica sua nova opção: "O futuro são as formas de negociação com preços variáveis". JORNAL DO COMMERCIO - A crença do sr. no comércio eletrônico se baseia em quê? JACK LONDON - A fé remove montanhas, hábitos arraigados e desconfianças. A Internet remove montanhas de papéis e preconceitos arraigados. A Internet também remove as falsas confianças de que o conhecimento é eterno, de que as empresas são imutáveis e de que os processos empresariais são estáveis. JC - Primeiro o sr. apostou na venda de produtos via Rede e criou a BookNet. Agora se volta para o setor de leilão. O comércio eletrônico passa por mudanças? JL - Sim. E a grande mudança é a substituição da ditadura do preço Fixo pela democracia do preço variável. Esta é a grande e fundamental mudança em curso no mundo dos negócios. JC- Da experiência com o BookNet, quais lições tirou? JL - A lição mais importante foi a da viabilidade de um negócio via Internet no Brasil. Hoje parece quase óbvio falar nisto, mas há quatro anos não era. JC - Para onde caminha a Internet? JL - A Internet abre as portas de uma nova sociedade, a sociedade da informação. Ela vai até o fim desta nova sociedade, quando então será substituída pela comunicação telepática, sensorial, através de DNAs. E, então, estaremos às portas de uma nova sociedade, melhor ainda, a sociedade da sensibilidade. Quem viver, verá. JC - Hoje no Valeu há somente 5.299 ítens dispostos, a maioria ainda sem oferta. O brasileiro compra pela Rede? JL - O brasileiro começa a comprar pela Rede. Estamos na infância de um hábito que vem se consolidando nas camadas formadoras de opinião, mas que, em breve, será parte do cotidiano de muitos brasileiros. JC - O Valeu tem duas espécies de transação. Na geral, há o lance típico de leilão. Há também a seção em que o comprador anuncia o que deseja, à espera de vendedores. Qual dessas transações irá prevalecer? JL - Se alguém disser hoje que sabe esta resposta estará mentindo. Sei o que não será o futuro, que é a venda por preço fixo. O futuro são as formas de negociação com preços variáveis. JC - O sr. fez alguma espécie de trabalho junto às empresas para que coloquem seus produtos em leilão no Valeu? JL - Temos um trabalho constante de captação de clientes e uma gerência Comercial voltada para as empresas. Um dos bordões de nossos anúncios é `Não Vendeu, taca no Valeu!'. JC - A Internet é segura? JL - Nada é seguro. Principalmente viver. Guimarães Rosa dizia que `viver é muito perigoso'. Nem por isto deixamos de viver, e a Internet não é outra coisa senão parte de nossas vidas. Insegura, fascinante e imprevisível. JC - E como se convence alguém a comprar um produto num ambiente assim? JL - Comprar no botequim da esquina também é inseguro e imprevisível. Apenas não é fascinante. |
|