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Regina Pitoscia

Bolsa recua 2,40% e Banco Central age para frear alta do dólar

O agravamento de expectativas em relação à inflação provocou muito nervosismo, temperado por alguns rumores, no mercado financeiro. A ações reagiram com queda, pressionadas por vendas mais acentuadas, as taxas de juros subiram nos contratos futuros e a alta do dólar foi contida apenas com nova nova intervenção do Banco Central.

A Bolsa de São Paulo fechou o pregão com baixa de 2,41%, sem resistir às vendas de investidores interessados em embolsar os lucros obtidos com as últimas valorizações. A baixa, persistente ao longo de todo o pregão, ficou reforçada na parte da tarde com os rumores de uma convocação extraordinária do Comitê de Política Monetária (Copom) para decidir possível elevação dos juros para ajustá-los à inflação em alta.

A desvalorização da Bolsa, combinada com o encolhimento de volume negociado, pelo segundo pregão consecutivo, sugere o enfraquecimento do interesse pela compra de ações e abre caminho para a continuidade do movimento de realização de lucros, comentam analistas. O aumento de incertezas em relação à inflação e às medidas que o governo poderia adotar para combatê-la deixa o investidor cauteloso com o investimento em ações.

Uma possibilidade, que já fez parte das especulações no mercado ontem, está na elevação das taxas de juro pelo Banco Central. Essa idéia poderia ganhar força, comenta-se, caso as próximas prévias de inflação indiquem que os preços permanecem em alta. Hoje, será divulgada a segunda prévia do IGP-M, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), e na sexta-feira, a do IPC da Fipe.

Embora os juros projetados pelos contratos futuros tenham disparado, as taxas dos CDBs não se moveram. A expectativa é que apenas uma iniciativa do BC de reajustar os juros poderia levar os bancos a calibrar as taxas dos títulos privados a uma inflação mais alta.

O BC não hesitou em atuar no câmbio ontem, para ofertar dólares e brecar a aceleração de preços. O dólar fechou com baixa de 0,10%, em R$ 1,931.

Ouro

Fechamento: R$ 18,45
Variação: alta de 0,27%

O ouro movimentado na BM&F fechou o pregão cotado por R$ 18,45 o grama, com valorização de 0,27%. O volume negociado foi de 59 kg. No mercado de Nova York, na Comex, a onça-troy de ouro foi cotada por US$ 295,10 nos contratos para entrega neste mês.

Dólar

O BC voltou a intervir no mercado para conter a aceleração dos preços do dólar. As cotações do paralelo mantiveram estabilidade, pelo segundo dia seguido, acomodadas em R$ 1,980 para compra e R$ 2,007 para venda. O comercial recuou 0,10%, para R$ 1,929 na compra e R$ 1,931 na venda, no fechamento dos negócios.

Bolsas

As cinco maiores altas, entre as 47 ações do IBovespa, foram Banespa PN, 3,3%; Klabin PN, 3%; Tran Paulista PN e Petrobrás BR PN, 2,8%; e Copene PNA, 2,1%. As maiores baixas, Usiminas PNA, 5,6%; Eletrobrás PNB, 4,1%; Banco do Brasil PN, 3,9%; Cesp PN, 3,8%; e Eletrobrás ON, 3,7%.


Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira