LG_jc.gif (3670 bytes)

CPI DO JUDICIÁRIO II
Desvio de verbas do fórum foi premeditado, aponta relatório

BRASÍLIA - O desvio de R$ 169 milhões de verbas públicas para a construção do Fórum Trabalhista de São Paulo foi "premeditado", segundo o relatório da CPI do Judiciário. "Eles faziam de tudo, menos construir. Parece que o desviado foi o dinheiro efetivamente aplicado na obra, R$ 60 milhões", ironizou o relator da CPI, senador Paulo Souto (PFL-BA). O desvio, segundo o relatório, "começou na primeira liberação, que deveria pagar o terreno onde foi erguido o que hoje é um esqueleto, e continuou enquanto a Incal recebeu verba do Tesouro".

O relatório mostra que o dinheiro era depositado na conta da Incal Incorporações, que ganhou a obra sem ter participado da licitação e foi criada por Fábio Monteiro de Barros Filho com capital inicial de US$ 70. Depois, percorria as contas de outras empresas de Monteiro de Barros antes de ser distribuído aos beneficiários. O ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo Nicolau dos Santos Neto, por exemplo, apontado como o mentor da falcatrua, recebeu recursos desviados do fórum pela Corretora Split, que ficou conhecida durante a CPI dos Precatórios.

Além de beneficiar Santos Neto e o Grupo OK, do senador Luiz Estevão (PMDB-DF), o dinheiro serviu para capitalizar outras empresas de Monteiro de Barros. Outra parte foi enviada para contas no Banco Del Paraguai e para instituições financeiras na Suíça e nas Ilhas Cayman.

_________________________________________


Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira