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CATALUÑA III
Uma inesgotável paixão pela arte

Foi lá que Miró nasceu. Foi lá que Picasso viveu. Foi lá que Gaudí viveu e morreu. Não à toa, o roteiro das artes em Barcelona é um desafio, de tanto o que oferece. Impossível descrever tudo. Muito menos visitar tudo. Numa primeira viagem, geralmente se opta pelos clássicos endereços - em se tratando de artes plásticas, os museus e galerias que não podem deixar de ser vistos.

O primeiro da lista é o Museu Picasso, segundo ponto turístico mais visitado da cidade, recebendo mais de um milhão de pessoas por ano. Instalado em três antigos palácios góticos da Rua Montcada, uma das mais poéticas de Barcelona, o museu foi formado por obras doadas pelo próprio Picasso (1881-1973) e guarda, principalmente, as primeiras fases de seu trabalho. Entre as exceções, a série de versões para o clássico As Meninas, de Velasquez, feitas já na década de 50, além de algumas outras obras deste mesmo período. O interessante, aqui, é acompanhar as mudanças que vão ganhando as peças a partir das novas referências em sua vida.

Quem puder viajar a Barcelona até o começo do próximo do ano, verá, além da mostra permanente, a exposição Picasso. Paisagem interior. Paisagem exterior, em cartaz até o dia 30 de janeiro de 2000. E conhecerá, também, as novas instalações do museu, que ganhará mais oito salas.

ARTE ROMÂNICA - Instalado em Montjuic, o Monte dos Judeus, o Museu Nacional de Arte da Cataluña é referência mundial por abrigar nada menos que a melhor coleção de arte românica de todo o mundo em concentração, qualidade e quantidade de peças. As pinturas foram trazidas de igrejas românicas situadas principalmente na zona catalã dos Pirineus, sendo uma das imagens mais famosas a do Cristo bizantino doado pela família Batló.

O museu apresenta, ainda, seções de arte gótica, barroca, renascentista e moderna, bem como um acervo de gravuras, um setor de fotografias e uma coleção de moedas. De dezembro deste ano a fevereiro de 2000, sediará uma grandiosa exposição sobre o impacto do reino de Carlos Magno na Europa Ocidental.

Participam do projeto as cidades de Barcelona (Espanha), Paderborn (Alemanha), Brescia (Itália) e Split (Croácia). Cada uma apresentará uma mostra sobre a vida política, cultural e religiosa da região em que se encontram, durante o Império Carolíngeo.

Seguindo essa proposta, a exposição do Museu Nacional enfocará a Cataluña dos séculos 8, 9 e 10, período que compreende o início do domínio carolíngeo até o processo de emancipação dos condados catalães. No acervo, vários documentos, obras de arte e material arqueológico, além de mapas e maquetes.

SÍMBOLO - Outro concorrido espaço é a Fundação Miró, também em Montjuic, onde encontra-se uma das mais completas coleções do artista em todo o mundo. Esculturas, pinturas e desenhos compõem a mostra permanente (foto à esquerda), enriquecida com exposições temporárias, concertos e conferências, responsáveis por um fluxo de 440 mil visitantes no ano passado.

O prédio que abriga o museu foi criado pelo designer Sert, amigo de Miró, e é, na verdade, a primeira obra de arte que se vê no lugar. A ligação de Miró com Barcelona é particularmente especial porque foi lá em que ele nasceu e onde morou por vários anos, além de ter sido realizada na cidade a sua primeira exposição. Assim como Gaudí, ele é um dos artistas-símbolo da capital catalã.

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Jornal do Commercio
Recife - 18.11.99
Quinta-feira