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PRIVATIZAÇÃO
Venda da Celpe entra na reta final

O processo de privatização da Celpe entra nesta semana na sua fase decisiva. A partir de amanhã, as empresas interessadas na compra da energética (cinco já identificadas e uma sexta ainda mantida em sigilo) poderão acessar o data room, com informações gerais sobre a companhia. Na quinta-feira, será a vez da audiência pública e 14 dias depois (em 7 de outubro), deve ser publicado o edital do leilão, com data marcada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para 18 de novembro.

O preço mínimo para leilão fechado entre o BNDES e o Estado é de R$ 1,2 bilhão e há a expectativa de que o ágio, ou seja, o sobrepreço que o mercado está disposto a pagar para adquirir a companhia, atinja pelo menos 70%. O percentual fica um pouco abaixo do que foi pago nas outras privatizações do setor elétrico nordestino. A sergipana Energige, arrematada pela Cataguazes-Leopoldina, teve um ágio de 96%. Para a Coelba, na Bahia, o ágio que a Iberdrola pagou foi de 77%. No leilão da Cosern, que funciona no Rio Grande do Norte e hoje também é controlada pela Iberdrola, o preço de compra foi 73% maior que o mínimo estabelecido. A Chilectra/Endesa pagou um sobrepreço de 27% para ficar com a cearense Coelce.

Para ter acesso ao data room da Celpe, quando os interessados na compra deverão pagar R$ 30 mil para ter acesso às informações e documentos relativos à Celpe. Os principais grupos interessados na compra são Iberdrola, Duke Energy, AES, Chilectra/Endesa e Enron, além de um sexto grupo com visita agendada para conhecer a empresa. Caso arremate a Celpe, Iberdrola será a maior empresa de repasse de energia do Nordeste.

Com 1,8 milhão de clientes, a Celpe tem faturamento mensal de R$ 70 milhões, com previsão de faturar mais de R$ 800 milhões em 99. Segundo o presidente da empresa, Paulo Cézar Tavares, a Celpe possui hoje um quadro geral bastante enxuto, tanto no quesito funcionários quanto no aspecto furos no orçamento. Na opinião de Tavares, os atuais 3.200 funcionários são o mínimo necessário.

Entre as medidas para o enxugamento da empresa está o pagamento de um débito de R$ 170 milhões da Compesa junto à Celpe, a negociação das dívidas com as prefeituras inadimplentes e o Programa de Combate ao Desperdício de Energia, que deve recuperar o pagamento da energia desviada através dos chamados "macacos". Os débitos com as prefeituras representam R$ 30 milhões, enquanto as perdas com desvios retiram dos cofres da Celpe R$ 7 milhões por mês.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.09.99
Domingo