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FIM DE ANO Coma bem, mas cuidado com excessos por
ANDRÉA PERDIGÃO GAYOTTO Os excessos de comida e bebida das festas de fim de ano se aproximam. Os especialistas sempre recomendam porções moderadas de comidas mais leves, adequadas ao clima brasileiro, para manter a saúde equilibrada. Mas o fato é que a maioria das pessoas não abre mão da tradição das mesas fartas do Natal e do Ano Novo e geralmente não resistem a generosos bocados de pernil e salpicão e a algumas doses a mais de champanhe, uísque e cerveja. Já que, provavelmente, os exageros deverão acontecer, pelo menos dá para tentar reduzir seus efeitos, com medidas antes, durante e depois das ceias (veja quadro nesta página). Assim, o dia seguinte poderá ser menos desconfortável, e é possível começar o ano sem sobressaltos na saúde. CLIMA - Médicos e nutricionistas lembram que as tradições de festas de fim de ano são importadas de países frios, e por isso a comida que é servida não é adequada ao clima tropical. O tempo frio exige refeições mais calóricas, com mais gordura, para provocar uma sensação de aquecimento do corpo. Embora médicos e nutricionistas digam ano após ano que seria ideal substituir aqueles pratos mais pesados por refeições "tropicalizadas", alguns já admitem que a tradição molda o comportamento à mesa nesses dias e é muito difícil mudar esses hábitos. O que resta então é tentar manejar os exageros, mantendo-os sob certo controle. "Não dá para quebrar os rituais e os hábitos das pessoas nessa época do ano, é importante ter momentos como esse, mas que se faça um excesso equilibrado", diz a médica homeopata Sandra Abrahão Chaim Salles. Por exemplo, se a idéia é comer muito durante as ceias, pelo menos a refeição pode ser dividida em pequenas porções. Comendo devagar, com intervalos, e experimentando um pouco de cada prato, o organismo digere melhor a comida, aliviando a sensação de peso. Ao mesmo tempo, os comilões, sem se empanturrar, ficam satisfeitos porque não deixaram de provar nenhuma das guloseimas disponíveis na festa. Os horários em que as comidas são servidas, geralmente em torno da meia-noite, não são ideais, porque dormir com o estômago cheio atrapalha a digestão e o sono. AZIA - Segundo Celso Bernini, um dos chefes de equipe do serviço de emergência do Hospital das Clínicas de São Paulo, é comum nessa época do ano, assim como no período do Carnaval, haver grande incidência de problemas gastrointestinais (relacionados a estômago e intestino). "Alimentar-se muito à noite e deitar-se é ruim." Ele explica que o esôfago tem a função de levar o alimento para o estômago, mas não está preparado para o oposto. A pessoa que deita com a barriga muito cheia corre o risco de provocar o chamado refluxo, que é um pouco de alimento junto com suco gástrico (responsável pela digestão no estômago) voltando para o esôfago e causando alguns sintomas, entre os quais o mais conhecido é a azia, caracterizado como uma espécie de ardor na boca do estômago. Quanto mais gordura e proteína ingeridas, mais lentamente o estômago se esvazia e assim mais demorado é o processo de alívio da sensação de barriga muito cheia. Se no final da festa for servido um chá, ele pode ser útil como digestivo. Uma caminhada antes de dormir ajuda um pouco. Mas, definitivamente, o horário não é o mais adequado para uma refeição pesada. Os problemas intestinais também são freqüentes, provocados por intoxicações alimentares. Bernini afirma que é comum que os pratos sejam preparados com muita antecedência, o que aumenta o risco de proliferação de bactérias. Pratos que contenham maionese, por exemplo, como salpicões, se guardados muitas horas, mesmo que na geladeira, costumam estragar com facilidade. Intoxicações intestinais podem causar disenterias e muitas vezes vômitos. Hidratação adequada normalmente é o suficiente, mas ele alerta que, se uma pessoa tiver acima de quatro evacuações num mesmo dia, é preciso procurar auxílio médico. BEBIDAS - Exagero de bebida sempre vai ser ruim, mas se acontecer mesmo, além da recomendação fundamental de não dirigir, os efeitos do álcool podem ser minimizados com pequenos cuidados, como beber muita água a noite toda. Algumas das velhas recomendações sobre álcool continuam valendo mesmo. Segundo médicos, não se deve, de fato, misturar bebidas. Quando isso acontece, o efeito do álcool é potencializado. Qualquer combinação é desaconselhável. É aceitável uma taça de champanhe, para comemorar o ano, no meio de uma seqüência de copos de uísque, por exemplo. Mas não dá para abusar. Se começar a noite com um tipo de bebida tente terminá-la assim. As bebidas destiladas, como uísque e vodca, são mais calóricas do que as bebidas fermentadas, como cerveja e vinho (uma taca de vinho tem em torno de 105 calorias, enquanto uma batida tem cerca de 260 calorias.) As bebidas fermentadas também são mais bem toleradas pelo organismo, podendo ser mais consumidas e causar menos problemas. O aconselhável, no entanto, é meia garrafa de vinho por pessoa numa noite, ou três copos de 250 ml de cerveja. LIGHT - Para os que têm muita força de vontade e planejam uma noite mais tranqüila, os especialistas dão dicas de uma festa "light". "No verão, o organismo pede muito líquido, e os alimentos que têm mais líquido no seu interior são as frutas e os vegetais", diz Celso Bernini. Ele alerta para o fato de que a preferência por carnes como o pernil torna a alimentação das festas excessivamente gordurosa, sendo esse o primeiro passo para uma noite indigesta, pois o excesso de gordura deixa a digestão mais lenta. Trocar a carne de porco pela carne branca é a primeira alternativa levantada pelos médicos e nutricionistas para uma alimentação prazerosa e saudável. A carne de peru ou chéster é menos gordurosa e pode manter o charme de uma ceia de Natal, se for acompanhada por um arroz com amêndoas e uma farofa recheada de frutas em vez de bacon ou ovos. "Nossas tradições são muito indigestas", afirma a nutricionista Edilene Romeiro Baldassari. "Além de refeições muito calóricas, bebe-se muito, o que prejudica ainda mais a digestão". "O importante é ter bom senso. Nessas festas não é um único dia que vai ter comida gostosa", diz a nutricionista Márcia Daskal Hirschbruch, e prevenir-se parece ser o melhor jeito de garantir uma boa celebração. De qualquer forma, feitos os excessos, os nutricionistas avisam que jejum no dia seguinte não é o melhor remédio para compensar os exageros. Uma dieta leve, com muito líquido é fundamental, além de algum exercício. As pessoas podem aproveitar o feriado e dar uma boa caminhada. |
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