REGIONALISTA
Conversão de
Vicente ainda é tema polêmicoA relação entre o modernismo paulista e o de
Pernambuco é questão ainda controversa. Graças
principalmente ao chamado movimento regionalista liderado
por Gilberto Freyre. Este nunca aceitou subordinar a
estética ou a cultura de Pernambuco aos ideais da Semana
de Arte Moderna. Quando esta aconteceu, Vicente do Rego
Monteiro (que teve dez dos seus quadros nela expostos,
por iniciativa de Ronald de Carvalho) estava na Europa,
sendo caricaturado pelo futuro autor de Vida, Forma e Cor
que, apesar de ser um dos seus melhores exegetas, não
inclui um estudo amplo de sua pintura nesse livro que
reúne algumas das suas melhores críticas de arte.
Sobre a ligação de Vicente com o
modernismo e o regionalismo, Gilberto Freyre escreve no
longo ensaio-depoimento publicado pelo Moinho Recife em
1972. Nele, recorda-se da trajetória artística de
Vicente, e lembra-se que esse primeiro momento não
regionalista estava afeito aos temas amazônicos. A
"conversão" ao regionalismo seria contestada
por Joaquim Inojosa, em texto publicado também em 1972,
no jornal O Estado de S. Paulo. Lúcido, no entanto, como
sempre, Freyre situa o que representaram os seus
encontros com o pintor nos cafés de Paris: "Muito
discutimos temas modernistas, muito consideramos, de modo
crítico, a situação brasileira daquelas da tristonha
estagnação de artes e de letras".
Se alguém localiza no Recife de hoje
uma semelhante estagnação, deve lembrar-se de que a
renovação das artes no país aconteceu como resultado
de muitos bate-papos, encontros, críticas, e a cidade de
hoje quase não conversa. Gilberto e Vicente conversavam
também por cartas. O que se salvou da correspondência
entre eles data sobretudo dos últimos anos das décadas
de 50 e 60, e tratam, entre outros assuntos, da
tradução que fez Vivente do livro Talvez Poesia, de
Gilberto Freyre (ainda inédito), e, por último das
dificuldades materiais daquele.
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