EM TEMPO
Família e amigos
têm boas recordações de VicenteNa última quarta-feira, no Arquivo Público, um
homem e uma mulher ouviram atentos as palestras e
acompanharam cada detalhe da exposição sobre Vicente do
Rego Monteiro. Alexandre e Gerda são os únicos parentes
do artista em Pernambuco. São seus primos. "Fui a
sua última exposição no Recife, e pensei em pedir que
ele pintasse uma telinha para mim, mas não ousei",
lembra-se Greda, que, como Alexandre, fala da grande
semelhança de Vicente com José, o seu pai.
Se foi sempre um artista múltiplo, ou
duplo, Monteiro repetiu isto na vida. As suas mulheres
eram de Paris e do Recife. Com a primeira não houve
filhos. A segunda deu-lhe três (um, que tinha o seu
nome, faleceu). Ari Joaquim, que reside em Brasília
comove-se até hoje ao acompanhar as homenagens ao pai.
Em entrevista exclusiva, por telefone, ao Jornal do
Commercio, fala que o conheceu aos dez anos e manteve
poucos contatos com ele. Mas foram intensos.
"Graças a Ranulpho que a arte de meu pai pode obter
no final da década de 60 o reconhecimento", diz o
filho.
"Eu conheci Vicente em 1968, e
tratei logo de convidá-lo a expor numa pequena galeria
que tinha no edifício Tereza Cristina", revela
Ranulpho. O pintor não aceitou logo o convite. Estava
cético. O marchand insistiu, e a mostra foi um sucesso.
Desde então, o marchand passou a acompanhar e a
encomendar novas obras. Novas às vezes é força de
expressão. Pois foi nesse período que o artista tratou
de recuperar o tempo perdido "desleixado" da
pintura e até a refazer telas da sua melhor fase.
Os últimos momentos de Monteiro
também foram acompanhados pelo marchand e amigo
Ranulpho. Em junho de 1970 ele preparava exposição no
Rio (integrava o famoso Resumo JB. Estava empolgado.
Jantou com Ranulpho. Levava consigo uma garrafa de vinho
de missa que resolveu consumir no fim de noite na
companhia de uma jovem namorada. Na manhã em que
viajaria, sentiu-se mal no prédio onde morava - o
Holiday, em Boa Viagem - e logo morreu.
Nos períodos em que passou no Recife
(intercalando-os sempre com passagens em Paris), Monteiro
exerceu cargos como diretor de Turismo de Olinda e de
diretor da Imprensa Oficial. E também ensinou na Escola
de Belas Artes. O artista plástico Luiz Pessoa lembra-se
que teria igualmente lecionado na Escola Técnica, ainda
no Dérbi.
No Recife, entre os seus admiradores
constantes há o também artista multimeios Paulo
Bruscky, que o considera um dos maiores artistas
modernos, deste século, em todos os continentes.
Opinião semelhante é a que tem o crítico de arte
Walter Zanini. Ele é responsável pelo melhor trabalho
já feito sobre a obra de Monteiro, o livro Vicente do
Rego Monteiro - Artista e Poeta. Também foi de sua
iniciativa uma mostra retrospectiva em São Paulo, há
dois anos. "Fiquei muito frustrado que a exposição
não tenha sido itinerante e nem tenha havido interesse
em Pernambuco de trazê-la", diz Zanini, por
telefone.
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