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EDUCAÇÃO Mozart quer mudar regimento da UFPE por MARGARIDA AZEVEDO Coube ao reitor Mozart Neves Ramos preparar a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para o próximo século. Reeleito para o cargo em julho deste ano, ele será encarregado de dar continuidade ao trabalho que desenvolveu ao longo dos últimos quatro anos. Um dos principais desafios será iniciar a reforma do regimento da instituição, que existe desde 1979. Reivindicação, aliás, bastante antiga da Associação dos Docentes da UFPE (Adufepe). Faz tempo que esperamos por isso, diz a presidente do órgão, Marieta Koike. Apesar de Mozart haver assumido o cargo oficialmente no último dia 15, em Brasília, está marcada uma posse festiva, na próxima quarta-feira (22), às 20h, no teatro da universidade. O reitor faz uma avaliação positiva do seu trabalho. Quando assumi, há quatro anos, havia uma grande indagação de como desenvolver ações em um cenário totalmente adverso, em termos de escassez de recursos. Encerrado este período, eu diria que o desafio foi vencido, sobretudo graças ao trabalho de toda uma equipe, e com o apoio integral da sociedade, comentou Ramos, que é professor do Departamento de Química Fundamental. Segundo ele, a reforma do estatuto será prioridade na próxima gestão. Assumo como uma falha do meu reitorado, mas garanto que logo ela será iniciada. Acredito que agora a universidade baseada em duas grandes avaliações de instituições internacionais está madura para iniciar esta reforma, sem que as mudanças tenham como parâmetros a vontade do reitor, mas de toda a comunidade acadêmica. Para dar início à confecção do novo regimento, o reitor convidou o professor Ioni Sampaio. A intenção é criar um estatuto com núcleo básico bastante enxuto, mas ao mesmo tempo descentralizado, para que possa incorporar os perfis de cada centro acadêmico. Na opinião de Mozart Ramos, a reforma acadêmica é necessária para formar melhor os estudantes. Os currículos precisam ser mais flexíveis, mais interdisciplinares, e que valorizem as habilidades específicas de cada indivíduo. Quanto à profissionalização da gestão, Mozart é enfático. Hoje a universidade tem que ser vista sob um ponto de vista de empresa. Liderança, descentralização de ações e delegação de poderes são itens fundamentais para desenvolver a universidade no próximo século. É objetivo dele também investir em ciência e tecnologia. Para tanto, o professor pretende implementar cursos de fotônica, engenharia mecatrônica, engenharia de telecomunicações e engenharia da computação. Outra idéia é criar pré-incubadoras, para dar aos estudantes uma melhor visão empreendedora. AVALIAÇÃO Para o vice-presidente da Adufepe, Sérgio Sette, o reitor precisa assumir posturas mais independentes. Ele às vezes é muito conciliador, quando há ocasiões que precisamos de ações mais firmes, critica Sette. A professora Marieta Koike, presidente da Adufepe, reclama da falta de democracia em algumas instâncias da universidade. No Conselho Universitário só tem gente de confiança dele. É necessário aumentar os canais internos de participação, diz ela. Mozart Ramos destaca a integração da sociedade com a universidade como um importante fator para o crescimento da instituição. A reconstrução do teatro da UFPE, incendiado em 96, é um exemplo. Graças ao apoio de escolas, empresas, órgãos públicos e ministérios conseguimos reerguer o teatro, onde foram gastos recursos na ordem de R$ 3,5 milhões. Perguntado sobre qual nota daria ao seu reitorado, Ramos desconversa. Prefiro não dar uma nota, pois poderia ser justo ou ao mesmo tempo muito rigoroso. Mas acho que a própria comunidade já mostrou seu reconhecimento, ao me eleger com 70% dos votos, comentou. Assumo agora mais tranqüilo, esperando terminar os próximos quatro anos com o mesmo brilho nos olhos, com a mesma vibração que termino este mandato. |
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