![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
NATAL CARIDADE A solidariedade que inspira muitas pessoas no período natalino é bem-vinda nos 365 dias do ano. Numa cidade como o Recife, que tem milhares de indigentes morando nas ruas, alagados e barreiras, não faltam mãos estendidas, sempre prontas a receber. Isso sem falar nos desempregados, nos portadores de doenças graves, idosos e crianças abandonadas. Trabalhadores, donas de casa, estudantes e religiosos, que fazem da caridade uma prática diária, ensinam como é simples e prazeroso seguir o exemplo de um Francisco de Assis ou de um Vicente de Paulo homens que entraram para a história pelas lições de amor e fraternidade que ensinaram. Na verdade, não é preciso voltar quatro a oito séculos para buscar uma referência desse tipo. O arcebispo emérito de Olinda e Recife, Dom Helder Câmara, morto em agosto deste ano, saía de madrugada, até debaixo de chuva, para dar comida aos pobres que perambulam pelas rua. E não conseguia dormir nem comer enquanto alguém estivesse precisando dele. Na hora de doar um dinheiro, o fazia de forma discreta, dobrando a cédula na palma da mão para que o beneficiado não se sentisse humilhado. Até o Banco da Providência, criado pelo religioso na época em que viveu no Rio de Janeiro, para ajudar os mais carentes, recebeu este nome para que as famílias se sentissem mais à vontade na hora de buscar a assistência. A reportagem é de Veronica Almeida, com fotos de Ivana Borges e Vládia Lima. Com muitos anos de experiência na tarefa de buscar doações para os pobres, a presidente da Cruzada de Ação Social de Pernambuco, Geralda Farias, mais do que ninguém sabe o valor da solidariedade constante, em doses diárias ou mensais. É mais importante tratar bem as pessoas todos os dias do ano do que escolher apenas um momento para presentear. É muito valioso o sorriso na hora certa, o aperto de mão afetuoso, a presença solidária na hora difícil, comenta, dando um significado mais amplo para a caridade: Não é simplesmente dar, é principalmente doar, doar-se. Segundo dona Geralda, freqüentemente se recebe mais de quem tem menos e, às vezes, as pessoas que têm mais condições não sabem como doar. Essas, não raro, saem pelas ruas, distribuindo, aleatoriamente, esmolas e presentes, sem sentir que, além de viciar, o ato humilha os pobres, observa. Ela ensina que a opção mais racional é procurar grupos, instituições, organizações governamentais e não-governamentais que atuem diretamente nas comunidades. EMPRESAS A própria Cruzada de Ação Social faz esta ponte. Recebemos com maior entusiasmo qualquer tipo de doação, desde uma simples bijuteria ou roupas usadas, até grandes doações, geralmente feitas por empresas, conta Geralda Farias. Tudo, segundo ela, é muito bem aproveitado. Os materiais usados são recuperados e vendidos por preços simbólicos na lojinha da Cruzada, na Avenida Norte, 869, em Santo Amaro. Os novos são destinados às 15 creches, três centros profissionalizantes e abrigos de idosos assistidos pela entidade. Também atendem hospitais e outras instituições. Entre os colaboradores da Cruzada estão empresas que adotam creches, doam brinquedos pedagógicos e parques infantis. Recentemente, com a uma doação da antiga Pró-Infância e o apoio de empresários, a Cruzada criou um espaço no Alto do Pascoal para profissionalizar jovens. BANCO Não faltam organizações à espera de uma mãozinha. O Núcleo de Apoio à Criança com Câncer, que tem uma espécie de hotel para crianças e jovens do interior que fazem tratamento no Recife, conta com 1.500 sócios contribuintes. São pessoas que recebem um bloquete bancário e todo o mês depositam na conta do Nacc uma quantia de no mínimo R$ 10,00. O Núcleo também recebe doações diretas. Outra entidade com sistema de arrecadação semelhante é a Fundação Alice Figueira, que dá apoio ao Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (Imip). Na verdade há várias formas de fazer caridade. Apesar de muita gente pensar que o gesto é a doação de algum alimento ou objeto, ser caridoso é mais abrangente, como expressar uma palavra amiga, ajudar alguém a sair da tristeza. É repartir o pouco que se tem, diz Auri Oliveira, que vive de donativos. |
|