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EDUCAÇÃO
LIVROS USADOS

Lá naquele cantinho da casa, uma estante, cheia de livros. Aos poucos, vão sendo acumulados, enchem de poeira, ocupam mais espaço. De repente, surge a dúvida: guardar os volumes ou repassá-los a outras pessoas, para que elas possam também aproveitar as informações? Nesta época de final de ano, quando os estudantes terminam o ano letivo, a incerteza é ainda mais comum, afinal, é grande a quantidade de exemplares que não serão mais utilizados.

Para evitar esse problema – e diminuir custos –, o Ministério da Educação (MEC) mantém o Programa Nacional de Livro Didático (PNLD), que prevê a utilização de um mesmo livro por três alunos, durante três anos consecutivos. Somente este ano, em Pernambuco, foram distribuídos 5,68 milhões de volumes do ensino fundamental. O programa atinge mais de nove mil escolas em todo o Estado, beneficiando aproximadamente 1,65 milhão de alunos.

Márcia Fabiane Laurentino, 14 anos, estuda na 5ª série da Escola Estadual Marechal Rondon, em Tejipió, e é uma das beneficiadas com o PNDL. Durante todo o ano, ela foi cuidadosa com os exemplares que recebeu. Tratou de encapar todos eles. “Sei que outros alunos vão precisar no ano que vem. Assim como eu gostei de ganhar os livros novos, quero que meus colegas também recebam igual”, comenta a estudante. “Mas tem gente que devolve o material rasgado, sem capa e riscado. Esses estudantes não deveriam ganhar mais livros no ano seguinte”.

Neste caso, os professores têm importante papel. São eles que “vigiam” os alunos. “Sempre estamos de olho para perceber aqueles que não zelam pelos livros. Chamamos a atenção, pedimos para terem mais cuidado, mas, infelizmente, alguns não o fazem”, diz a professora de inglês Edna Valença, da Escola Marechal Rondon. Entre 70 e 80% dos livros são devolvidos ao final do período letivo.

Os colegas de classe também ajudam. “Todo mundo tem que conservar. Não temos como comprar livros novos, por isso é preciso cuidar direitinho deles. Eu mesmo tenho uma irmã que poderá estudar com os livros que eu já usei”, diz Daniel Alves Rodrigues, 10, 5ª série. Como o volume de inglês não faz parte do programa, ele teve que adquirir um exemplar novo. Esperto, pagou R$ 10,00 pelo livro de um colega que passou para a 6ª série. “Economizei R$ 12,00, passei corretivo nos exercícios e estou usando sem problemas”.
A doação de livros pode permitir que as escolas montem suas próprias bibliotecas. “Os exemplares fornecidos pelo MEC são para uso em sala de aula. Nas escolas menores, que não dispõem de grandes acervos, os estudantes ficam sem ter onde pesquisar”, ressalta o superintendente de Apoio à Escola e ao Estudante, da Secretaria Estadual de Educação, Joaquim André Figueiredo. “Por isso quem quiser doar livros pode procurar a escola pública mais perto de sua casa e entregar o material, que será muito bem-vindo”.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.12.99
Domingo