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PRIVATIZAÇÃO
Celpe vai a leilão com sobra de caixa

por JAMILDO MELO

O futuro comprador da Companhia Energética de Pernambuco (Celpe) irá pagar um preço mínimo de R$ 1,78 bilhão pela empresa, mas na prática só estará desembolsando R$ 1,63 bilhão pela companhia.

A diferença a menor se explica na medida em que o futuro administrador da Celpe vai receber a empresa com um saldo de caixa de R$ 150 milhões, de acordo com os cálculos oficiais que basearam a elaboração do preço mínimo a ser pago pela empresa de energia.

A folga financeira só é possível porque a Celpe hoje vive uma situação diametralmente oposta ao quadro de aperto financeiro que a empresa enfrentou em 98 e 99, por conta dos investimentos realizados na área de eletrificação rural pelo Governo Arraes.

A equilibrada situação financeira é possível em função de uma série de fatores, sendo o mais importante deles a recomposição tarifaria autorizada pelo Governo Federal, nos meses de junho, julho e agosto deste ano. Há cinco anos a empresa não solicitava aumento das contas de energia.

Só com este aumento de tarifas a empresa reforçou em mais R$ 25 milhões o caixa neste ano, de acordo com informações de técnicos da empresa.

O esforço de ampliação de receitas também explica a boa performance financeira. De acordo com informações extra-oficiais, a empresa terá um dos melhores resultados dos últimos anos. Com uma ampliação de 3% no mercado de consumo, mesmo em um ano difícil como foi 1999, a empresa vai fechar o exercício deste ano com uma receita líquida de cerca de R$ 700 milhões, contra os R$ 598 milhões de receita líquida obtidos em 98.

A Comissão de Privatização da Celpe aposta que a retomada do equilíbrio financeiro ajuda fortemente a elevar o interesse pela estatal. A boa situação financeira vai permitir que os futuros compradores possam se concentrar na modernização da empresa.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.12.99
Domingo