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NOVOS ARES Os imigrantes da economia globalizada por ANA ARAGÃO Era uma vez um executivo que foi chamado para trabalhar em um local distante de onde vivia com a família e os amigos. Se a chance de crescimento profissional e um bom salário são fatores que pesam a favor do convite, a cidade desconhecida, muitas vezes menor, conta pontos negativos. Este impasse tem sido vivido por muitos profissionais nestes tempos de globalização, quando as empresas começam a marcar presença em territórios que até então não conheciam. A implantação de unidades industriais nas cidades do Nordeste é um exemplo de como as empresas podem movimentar seus executivos, importando-os de locais como Rio de Janeiro e São Paulo. No Recife, as empresas de telecomunicações, recém privatizadas, têm contribuído muito para atração de novos executivos. Um exemplo é a direção da TIM, que controla as antigas estatais de telefonia celular dos Estados entre Alagoas e Piauí. Todas as cinco pessoas da diretoria se mudaram para Recife devido ao trabalho na companhia. Também na BCP, concorrente da TIM, houve uma migração ao inverso, com profissionais de alto nível vindo de São Paulo para cá. A gerente de marketing da BCP, Isabel Carvalho, que atuava na BCP paulista, revela que se candidatou à vaga em Pernambuco. É uma experiência enriquecedora sair de São Paulo, garante. Isabel Carvalho diz que se encantou com a cidade durante as várias visitas que fez, devido ao trabalho na BCP. O dia que rende maisnão perde tempo no trânsito. Em 15 minutos estou no trabalho, comemora. O gerente de marketing da Telemar, Glauco Fonseca, chegou do Rio Grande do Sul há cinco meses. Aceitar o convite da companhia de telecomunicações foi, segundo ele, a chance de entrar no setor. Fonseca diz que o mais difícil para aceitar o convite foi a ruptura física com a família. Apesar disto, o executivo garante que a adaptação está sendo muito fácil. Há muita semelhança entre gaúchos e Pernambucanos. Temos uma raiz cultural muito forte e história para contar. São dois Estados onde há um ufanismo muito particular, comenta.Fonseca admite que a cidade tem alguns problemas que precisam ser superados, mas frisa: Se eu fosse escolher uma cidade para morar pelo resto da minha vida, escolheria Recife. INDÚSTRIA O superintendente da Fibrasil, o carioca Ricardo Canela, quase não aceitou o convite de vir para o Recife devido à pressão da filha pré-adolescente. Hoje, depois de cinco meses morando na cidade, a família está feliz com a nova rotina. Canela atuou na Kaiser, na Editora Abril e estava na Ediouro quando um headhunter um especialista em selecionar executivos fez a proposta de dirigir a unidade da Vicunha em Paratibe. Demorei 40 dias para aceitar o convite. Mas depois que topei, vim com minha família de uma vez, conta. Canela explica que foi fácil fazer amigos em Recife. |
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