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Novidades em 2000

O ano que se finda foi menos dramático para o país do que se prenunciava em seu início. A recessão não foi tão aguda como fazia pensar o acordo assinado entre o Brasil e o FMI, que previa queda de 4% na produção econômica, inflação de 17% ao ano. O pior não aconteceu, como aliás costuma ocorrer com algumas previsões desse organismo internacional. Projeções otimistas também desandam, como aconteceu com as relativas à saúde financeira e ao apetite desenvolvimentista dos chamados `tigres asiáticos', em 1997. Terminamos o ano com uma inflação razoável (em torno de 10%), embora com tendência a alta, juros baixando e o real não despencou em queda livre, como também se temia.

Entre os sinais positivos em relação à nossa economia, podemos colocar a previsão de que o crédito à produção deve crescer 20% no ano que vem. Um dos maiores entraves recentes ao desenvolvimento do país tem sido justamente a escassez de crédito para a indústria, comércio, serviços, produção em geral. E o financiamento da produção é uma atividade básica do setor bancário. "No segundo semestre de 1999, os bancos começaram a ser menos exigentes nas concessões de créditos para pequenas e médias empresas. Essa tendência deve se acentuar no ano que vem", afirma Roberto Setubal, presidente da Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban).

Ele calcula que a economia do país vai crescer entre 3% e 4% em 2000, e que as carteiras de empréstimos das instituições financeiras darão um salto de 20%. O banco comandado por Setubal, o Itaú, espera aumentar em 30% seu volume de créditos. Esse otimismo realista se justifica pelo fato de que a inadimplência está diminuindo e a economia brasileira está mais segura. Além disso, têm caído sensivelmente os juros oficiais; daí os bancos buscarem fontes alternativas de receita. Aliás, esta semana, reuniu-se o Comitê de Política Monetária (Copom), decidindo manter em 19% os juros básicos, a mesma taxa Selic que vem vigorando desde setembro; o que é positivo antídoto ao medo da inflação. Espera-se que um cenário econômico mais seguro leve, em janeiro, a taxas ainda menores.

Quando divulgou-se o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de novembro, com uma elevação de 1,62% (em outubro fora de 0,68%), o ministro da Fazenda, Pedro Malan, lembrou-se de comparar a inflação atual com a anterior ao Plano Real. Não basta. Todos festejamos a queda da inflação e a aparente estabilidade da moeda durante quase cinco anos. Mas o momento atual ainda é de apreensão e não basta o ministro lembrar a façanha dos primeiros anos do plano. O que importam são fatos e políticas, pois o medo da inflação gera mais inflação. Leve-se em consideração, porém, que o alto desemprego e a desindexação dos salários não são elementos favoráveis à volta de uma inflação à moda antiga. Há também um tímido reaquecimento da economia. Por exemplo: a produção industrial de outubro cresceu (terceira alta consecutiva) 1,6% sobre a de setembro, e 2,8 sobre a de outubro de 1998.

É ainda o presidente da Febraban quem prevê grandes novidades no sistema financeiro, no próximo ano. Acredita que haverá uma nova onda de fusões e aquisições nos bancos após a privatização do Banespa. O Itaú é um grande concorrente nesse negócio e Roberto Setubal diz que quem perder no leilão terá de traçar uma nova estratégia de crescimento ou desistir do mercado. É quando surgirão, segundo ele, novas oportunidades de fusões e compras. A instabilidade bancária tem trazido muitos prejuízos à nossa economia. O saneamento do setor ainda não se completou e precisa prosseguir, sob pena de regressão, com novos tumultos financeiros. Que as novidades sejam boas é o que todos desejamos. Se o capitalismo, conforme os economistas, está sujeito a crises cíclicas, as nossas crises não precisam ser tão freqüentes e mortíferas.


Jornal do Commercio
Recife - 19.12.99
Domingo