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CULTURA II Espíritas anteciparam Freud na análise Antes que Freud publicasse sua teoria psicanalista baseada na interpretação dos sonhos, em 1900, cerca de 40 anos antes um outro tipo de leitura do sonho era feita com semelhante empenho pelo espiritismo, através do Livro dos Espíritos. De acordo com esta doutrina, durante o sono, o espírito se desprende do corpo e, liberto, pode ir a lugares inimagináveis, entrando numa outra dimensão, onde se comunica com outros espíritos, sejam deste ou de outro mundo. A lembrança do que o espírito `viu' durante o sono, que podem ser recordações do passado ou até mesmo do futuro, seriam os sonhos, que nem sempre são lembrados de uma forma completa porque o ser humano ainda não atingiu todo o desenvolvimento necessário para sua compreensão. O sonho é definido, então, como "o produto da emancipação da alma, que se torna mais independente pela suspensão da vida ativa", de acordo com o Livro dos Espíritos. "É por isso que os sonhos nos parecem confusos e disformes. Com os nossos sentidos humanos falhos não conseguimos interpretá-los em toda a sua dimensão, entremeada por imagens referentes a mundos desconhecidos, além das vivências e preocupações de quando estamos acordados", compara Holmes Vicenzi, membro do Conselho Deliberativo da Federação Espírita de Pernambuco e estudioso da filosofia espírita há 48 anos. Segundo Holmes, durante o sonho, o espírito tanto pode procurar por outros mais elevados e assim buscar o seu crescimento, como também ser influenciado por alguns que atormentam as almas fracas e vulneráveis, trazendo sensações de infelicidade. "Se a pessoa seguidamente tem sonhos pertubadores, pode ser que alguma situação do passado tenha ficado mal resolvida", afirma PREMONIÇÃO - Embora o espírito possa saber o que está planejado para a vida futura do indivíduo, dizem os espíritas, raras são as vezes em que se consegue ter acesso a essas revelações, por meio dos chamados sonhos premonitórios, já que elas podem interferir na vida presente nem sempre de forma benéfica. "Ao contrário do que muita gente pensa, para o espiritismo, sonhar com uma determinada situação não anuncia diretamente outra, como costumam relacionar os `ledores' da sorte", diz. Por outro lado, as informações que se apagam da memória quando as pessoas acordam e tentam recordar o sonho, ficam guardadas pelo espírito, podendo voltar no momento necessário, na forma de inspiração, e aí sim adquirir uma verdadeira utilidade. "O sonho influi mais do que pensamos em nossas vidas e é fundamental para o processo de aprendizagem e evolução do espírito", conclui Holmes. (M.L.D.) |
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