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TELECOMUNICAÇÃO IV
Nova geração de celular é pesquisada

Os celulares do futuro estão vindo aí. Empresas, pesquisadores e a própria União Internacional de Telecomunicações (UIT), órgão responsável pelas normas e padrões do setor, estão empenhados em definir o modelo daquela que será a terceira geração de celulares, seguindo o caminho que começou pelo aparelho analógico e passa pelos atuais telefones digitais. A expectativa é de que esse celular do futuro comece aportar no mercado mundial nos anos 2001 e 2002.

O projeto da terceira geração de telefones móveis está sendo tocado pelo grupo IMT 2000, da UIT. Nele, estão previstos serviços mais avançados nos quais o assinante terá um único número – com ele, poderá discar de todo tipo de aparelho, sendo reconhecido por esta senha. Outra mudança básica será na largura de banda. A idéia é que a banda larga possibilite a transmissão em alta velocidade dos dados, garantindo acesso eficaz à Internet.

Atualmente a velocidade da voz e dos dados no celular no Brasil não passa de 9.6 Kbps, taxa alcançada tanto nos padrões CDMA. No mundo, o GSM vai um pouco além – chegando atualmente até 13 Kbps. O IMT 2000 prevê taxa mínima de 144 Kbps quando o usuário estiver dentro de um veículo; 384 Kbps quando estiver andando; e de 2 Mbps, com o cidadão parado, em casa.

Até a definição dos novos celulares, empresas investem em soluções mais urgentes. Uma delas é o WCDMA, que seria o CDMA em banda larga (o W se refere ao termo inglês wide, que significa largo). Uma das empresas hoje envolvidas é a Ericsson, que adquiriu parte da Qualcomm.

O sistema objetiva velocidades de transmissão de 356 Kbps a 2 Mbps. “É uma velocidade absurdamente alta que vai permitir que o usuário, através do celular, navegue e receba arquivos”, diz Anderson Teixeira, da Ericsson.

A empresa já trabalha com um protótipo que traz embutidos browser, uma microcâmera e um MP3 player, possibilitando download e envio de músicas através de uma simples ligação telefônica.

A Ericsson também se prepara para lançar o R380, que seria da terceira geração. Este celular deve entrar primeiro no mercado japonês, em parceria com a operadora NTT Ducomo, em 2001.

O WCDMA padrão está sendo testado no Laboratório de Comunicações (LabCom) do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade Federal da Paraíba.

Lá, segundo o professor Marcelo Alencar, as simulações realizadas no computador e os cálculos teóricos permitem a determinação da taxa de erros do tráfego e modelagem de diversos problemas nos canais de transmissão. Outro investimento em banda larga é feito por empresas que apostam no CDMA-One. Uma das envolvidas, a Motorola prevê a chegada ao mercado do CDMA-One daqui a dois anos, com taxas de transmissão entre 384 Kbps e 2 Mbps. “Hoje estamos passando por estágios intermediários” , define Pablo Moray, da Motorola.

Um desses degraus teria sido o lançamento do ST 7867W, de tecnologia CDMA. Lançado nos Estados Unidos pela Sprint, em setembro, o aparelho traz um browser, permitindo, através de teclas especiais e velocidade de 14,4 Kbps, acessar contéudos (limitados) e checar e-mails. Mas o envio de dados não é possível. (B.M.)

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Jornal do Commercio
Recife - 15.12.99
Quarta-feira