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COMPUTAÇÃO GRÁFICA
Toy Story 2 é um bem-sucedido casamento entre tecnologia e arte

por HUGO PORDEUS
hugo@jc.com.br

E o Oscar vai para... o computador. Seria pouco surpreendente se na próxima festa do cinema de Hollywood, um dos grandes vencedores fosse mesmo essa máquina cada vez mais presente e indispensável na criação de filmes. O desenho animado Toy Story 2, que entra em cartaz no Recife na sexta-feira, é um exemplo radical da utilização da informática no cinema.

Totalmente produzido em computador, através da parceria entre Disney e Pixar, a continuação das aventuras do caubói Woody e do astronauta Buzz Lightyear – ambos brinquedos que só ‘ganham vida’ quando as pessoas não estão por perto – leva a tecnologia da animação digital ao estado da arte para criar um mundo 100% virtual, embora suas personagens e cenários, muitas vezes, se confundam com a realidade, tal a sua perfeição.

Tendo faturado US$ 80 milhões de bilheteria apenas na primeira semana de exibição nos Estados Unidos, Toy Story 2 vence o desafio de contar uma história que caia no gosto do público com uma realização apoiada em recursos de computação gráfica – o desenho mistura comédia e ação, narrando a luta de uma ‘turma’ de brinquedos para resgatar Woody de um colecionador desonesto.

De acordo com a equipe de produtores de Toy Story 2, a maior dificuldade em fazer esse tipo de filme é não permitir que a animação por computador elimine a fantasia, as características psicológicas e o charme de cada personagem.

O cineasta John Lasseter, que dirigiu o desenho, é uma referência em longa-metragem de animação. Foi premiado, em 1996, com um Oscar pelo primeiro Toy Story. Sua consagração veio, no ano passado, com Vida de Inseto onde apresentou efeitos especiais ainda mais avançados. O Toy Story original entrou para a história do cinema como o primeiro longa-metragem 100% produzido em computador.

Na continuação do filme, outro dilema foi decidir como manter a consistência entre os dois episódios utilizando recursos tecnológicos em um estado já bem superior. Em apenas três anos, as ferramentas de animação evoluíram em uma velocidade alucinante, como é típico da indústria da informática.

Para construir as novas seqüências sem tornar os brinquedos irreconhecíveis em relação ao primeiro filme, técnicos e artistas da Disney/Pixar aproveitaram a sofisticação dos programas de modelagem e renderização das imagens para se concentrar na expressão e nos movimentos dos atores digitais.

O trabalho de animação, mesmo com toda a facilidade gerada pelo computador, é, ao contrário do que se pode imaginar, exaustivo e demorado. Uma cena com cinco segundos leva aproximadamente uma semana para ficar pronta, exigindo dedicação exclusiva de, no mínimo, um programador.

Apesar de reconhecerem a importância das técnicas digitais no resultado final do desenho, os responsáveis pela animação de Toy Story 2 frisam que o mérito pelo realismo na forma como os bonecos atuam está mais no talento dos artistas gráficos do que nas inovações tecnológicas.

Crianças e adultos que forem ao cinema para assistir a Woody, Buzz Lightyear e turma vão se divertir com as confusões aprontadas pelos bonecos mas também não devem deixar de notar, e se deslumbrar, com os detalhes de cada cena: roupas, jeito de andar e expressões faciais estão na medida certa para os brinquedos. Em alguns momentos, é possível notar uma falta de sintonia nos efeitos aplicados aos humanos, que ora estão reproduzidos com tanta realidade que parecem até filmados, ora se assemelham a manequins.

O projeto de animação de Toy Story 2 foi desenvolvido em estações de trabalho de última geração da Silicon Graphics, maior empresa de computação gráfica do mundo e figura carimbada de Hollywood. O software para modelagem em 3D foi o Maya, da Alias/Wavefront, também líder no mercado cinematográfico.

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Jornal do Commercio
Recife - 15.12.99
Quarta-feira