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Farra do celular Recorde mundial no Rio de Janeiro. A operadora Algar Telecom Leste (ATL) avança para o Natal vendendo perto de 100 mil celulares por dia. Ela baixou para R$ 199 o preço dos básicos da Nokia, Philips, Gradiente e Ericsson. Em quatro prestações. Algo parecido ocorre com a BCP e a Telesp Celular na praça de São Paulo. Só no eixo Rio-São Paulo, capital e interior, o Papai Noel wireless espera distribuir um milhão e meio de celulares. Ou 2,5 milhões no Brasil. O que elevaria a plataforma nacional da telefonia sem fio para 16 milhões de assinantes no réveillon. No ano, as vendas devem totalizar 10 milhões: 8,5 milhões de novos assinantes e 1,5 milhão de aparelhos de troca ou reposição. CESTA BÁSICA Novo produto da cesta básica da qualidade de vida da população metropolitana engaiolada e congestionada, a malha do celular ensaia dobrar de tamanho no ano que vem se a infra-estrutura em expansão das operadoras agüentar o tranco sem perder o tempo. Tecnologias melhores e mais baratas (nas versões TDMA e CDMA) atiçadas pela competição draconiana, de olho rútilo no domínio da rede (sob a ditadura do padrão), explicam a estrepitosa democratização da telefonia celular no Brasil. Lógica de mercado. Até recentemente, pátria do malote e paraíso do recado, sob o tacão de um monopólio estatal de estirpe soviética (de costas para o mercado), o Brasil instalou mais 5,8 milhões de linhas fixas em 18 meses de privatização. E ampliou de 32% para 76%, no mesmo período, a plataforma digital do sistema. Provavelmente em 2003, segundo consultores do ramo, o número de celulares estará superando o número de telefones fixos (igualmente em expansão). Com boa parte dos primeiros já diretamente plugada na Internet. PRÉ-PAGO O sistema pré-pago (que já domina 75% do mercado italiano) coloca a telefonia celular ao alcance do bolso da população de baixa renda - além de introduzir a terceira ou quarta assinatura na família de classe média. No pré-pago, estamos vendendo celular feito picolé na praia, celebra Paulo Cesar Teixeira, da Telefônica Celular do Rio (ex-Telerj). A configuração do pré-pago e a habilitação gratuita facilitam a compra para presente. Papai Noel não resiste. As operadoras privadas apelaram para a venda direta em lojas próprias, cobrindo até 80% do mercado. O restante é distribuído (já configurado) às redes de varejo. Além, claro, das vendas pela Internet, ainda esquentando as turbinas na cabeceira da pista. Nos Estados Unidos, o e-commerce da Web já responde por 70% das vendas da telefonia celular. Compulsão O consultor Lair Tybiriçá dos Reis apela para a sociologia: O brasileiro deve estar gastando no celular o dobro da conversação do americano ou do europeu. Ele merece receber de graça o aparelho, a assinatura e a habilitação. Por que não? Pilha toda As oito fábricas de celulares (seis inauguradas este ano) fazem hora extra. A Nokia dobrou o pessoal empregado e jura que a produção está vendida até março. A Ericsson abriu o terceiro turno e antecipou para 1999 os investimentos previstos para 2000. A reboque Fabricantes de acessórios, igualmente no limite da capacidade instalada, fazem a festa no mercado de baterias, recarregadores e viva-voz, entre outros. Também eles ocupam o espaço liberado pelo refluxo cambial do contrabando. |
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