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NO PÉ DA CONVERSA
Lenivaldo Aragão

Padaria

Pinta na coluna, mais uma vez, o amigo Paulo Montezuma, contando mais um caso dos seus tempos de boemia e molecagem por este Recife. Montezuma ou Paulo Oião, como queiram, conta a história de Reginaldo, apelidado de Padaria. Era uma das figuras notáveis que marcavam presença na Praça Maciel Pinheiro. Para começar, era o único torcedor do América Futebol Clube que ali comparecia. Diziam que o velho América tinha somente doze torcedores, sendo ele um dos que ainda insistiam em torcer pelo clube da Estrada do Arraial, como era conhecido. Mesmo assim, Padaria não entregava os pontos, vivendo das glórias do passado e sempre acreditando na recuperação de seu querido América.

A grande maioria dos freqüentadores da praça era de torcedores do Sport, destacando-se Fernando Samico, fanático e polêmico, cujo lema sempre foi "pelo Sport tudo e pelos os outros nada." Apesar das discussões diárias entre os diversos torcedores que freqüentavam a praça, aquela turma sempre assistia aos jogos junta, motivação maior para os papos noturnos. Idiossincrasias futebolísticas à parte, eram todos bons companheiros.

Num certo jogo do Sport estava plantada nas arquibancadas da Ilha do Retiro, uma patota que, entre outros tinha Samico, Padaria, os irmãos Mário e Fernando Pena, Artur Santa Cruz e Montezuma. A torcida estava furiosa. Os rubro-negros freqüentadores da praça, liderados por Samico, por incrível que pareça não xingavam nem o juiz nem o adversário. Clamavam aos berros contra o meio-de- campo de sua equipe, formado por Leduar e Gojoba. Leduar era um jogador de pequena estatura, que driblava mais para trás do que para a frente, auxiliado por Gojoba, companheiro inseparável no troca - troca de bolas, sem nenhuma objetividade. A bola dificilmente chegava ao ataque. Samico, furioso, liderava as vaias e agressões verbais à dupla de dribladores, chamando-a de todos os nomes possíveis e imagináveis, praticamente decretando a saída dos dois do time do Sport. Se naquele tempo existisse regra-três, certamente a dupla teria sido substituída de imediato.

Acompanhando o jogo e demonstrando tristeza, bastante pensativo, encontrava-se Padaria. Qual seria o motivo daquele estado meditativo do falante Padaria? Demorou pouco para ele declarar o seu sentimento de apreensão. Vira-se para a turma e diz: "Se vocês do Sport estão querendo botar Leduar e Gojoba pra fora, quem vai sofrer depois sou eu, pois, tenho quase certeza, que eles vão terminar no América". Dito e feito. Pouco tempo depois da enfática declaração de Padaria, Leduar e Gojoba foram bater com os costados no América. Padaria, portando, era mais do que um dos doze torcedores do América, um profeta sofrendo por antecipação.

Chorão

O empresário de futebol Ita Francelino deu vazão à sua emotividade, indo às lágrimas, esta semana, quando o técnico Nereu Pinheiro, numa entrevista à Rádio Jornal, o incluiu entre as pessoas que muito lhe ajudaram no início da carreira - as outras foram o jornalista Amaury Veloso, Urbano Serpa e Ozir Ramos. Ita emocionou-se mais ainda quando Luiz Cavalcante aparteou Nereu no programa para enaltecer sua correta atuação no futebol. Não resistiu e foi às lágrimas. Por falar em Ita, uma curiosidade. Nesta fase em que os `gatos', estão em evidência, depois que surgiu o caso Sandro Hiroschi, descobriu-se que Ita é um deles, mas por outro motivo, não o futebol. Eronildes Francelino da Silva nasceu a 3/3/36, em Catende, mas em seus documentos consta 3/4/39. É que sua mãe diminuiu a idade em três anos para que o filho pudesse ingressar na Escola de Aprendizes Marinheiros. Quanto ao apelido de Ita, é uma corruptela de Itaguari, jogador famoso do Santa Cruz. Por achar o futebol de Eronildes parecido com o de Itaguari, o treinador do Leão XIII, Jaime Albuquerque, passou a tratá-lo pelo nome do craque tricolor. Daí para Ita foi uma questão de tempo.

Campeã

Em meio ao rebuliço causado segunda-feira pelo desembarque do Santa Cruz, já classificado para a Primeira Divisão nacional, passou desapercebida no Aeroporto dos Guararapes, a chegada da piloto Danuza Moura, que na véspera conquistara o título de campeã do Brasileiro Feminino da Fórmula Corsa - seu irmão Adson ganhou o título de campeão paulista nas categorias Interlagos e Espron. Voltando à Danuza, foi a primeira conquista nacional do automobilismo pernambucano.


Jornal do Commercio
Recife - 19.12.99
Domingo