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PERSONAGENS POLÍTICOS
Gênio de Magalhães preocupa a aliança

por FABÍOLA MENDONÇA

Um dos principais líderes da aliança PMDB/PFL - ao lado do vice-presidente Marco Maciel -, o governador Jarbas Vasconcelos nega que o temperamento do prefeito Roberto Magalhães preocupe a coligação. Em entrevista na quinta (16), depois da solenidade na qual anunciou o valor mínimo da venda da Celpe, Jarbas disse ao JC não acreditar que os episódios em que o prefeito se envolveu, este ano, tenham comprometido a imagem do pefelista.

Engana-se quem pensa que o principal problema político do governador Jarbas Vasconcelos (PMDB) é administrar o acirramento entre os novos e os velhos aliados da aliança PMDB/PFL no interior do Estado. Muito mais do que criar um Conselho Político para resolver impasses nos municípios onde as legendas governistas têm candidatos distintos, o Palácio do Campo das Princesas tem outro problema pela frente: conter o temperamento - considerado explosivo - do prefeito Roberto Magalhães (PFL), que começa a preocupar os caciques da aliança.

Embora ninguém admita abertamente, já é discutida, na cúpula aliancista, a necessidade de uma estratégia para evitar que o `pavio curto' do prefeito possa comprometer a campanha. Em outras palavras: temem a reação de Magalhães diante das inevitáveis provocações eleitorais por parte da oposição. A idéia, ainda inicial, é indicar uma pessoa da aliança para acompanhar de perto os passos de Magalhães, já que os assessores mais diretos não estão conseguindo controlar seus impulsos.

"A aliança pensa em designar uma figura para fazer essa interlocução, que direcione a campanha, protegendo o candidato", comenta um governista, em reserva. "As pessoas que convivem com ele (Magalhães) estão preocupadas. Temem que, no decorrer da campanha, haja um destempero maior do que os últimos que aconteceram", completa outro integrante da aliança PMDB/PFL.

O primeiro episódio a confirmar o perfil explosivo do prefeito foi a polêmica criada em torno do monumento "Eu vi o mundo... Ele começava no Recife", do artista plástico Francisco Brennand. Por conta de uma nota jornalística sobre o assunto, Magalhães invadiu a redação do JC portando um revólver na cintura, ameaçando o autor na nota, o colunista Orismar Rodrigues. Dias depois, Magalhães não se conteve diante de uma provocação de uma líder comunitária, partiu para o `bate-boca' e terminou sendo acusado de tê-la agredido.

O caso mais recente a ilustrar o `destempero' do pefelista foi o que aconteceu no último dia 3. O prefeito deixou seu gabinete em direção à rua da Aurora, onde está sendo revitalizado o Cais da Aurora, e, segundo integrantes da própria aliança PMDB/PFL, teria se irritado porque a cerâmica que foi utilizada no pedestal do obelisco que está sendo erguido era Brennand. Ao chegar no local, Magalhães teria mandado um operário retirar algumas pedras que ainda não estavam assentadas, e discutido em público com a responsável pelo projeto arquitetônico, a arquiteta e sua assessora Janete Freire.

Na avaliação de alguns pefelistas, a cúpula da aliança está preocupada com a situação, mas "setores do PMDB" se aproveitam para tentar implodir a candidatura de Roberto Magalhães, apostando nos impulsos explosivos do prefeito. "Só que, se ele desistir, a vaga será do PFL e não do PMDB", avisam.

MARCA PRÓPRIA - A imagem de político intempestivo é uma característica que Roberto Magalhães carrega ao longo de sua vida pública, e esse fator é citado por pessoas que convivem com o prefeito como uma justificativa de que ele não sofrerá desgaste por conta desse comportamento. Essas pessoas, no entanto, ressaltam que os últimos episódios foram além do limite. Durante um período, essa imagem foi alterada e Magalhães conviveu com momentos de bom humor. Isso, logo após passar por uma cirurgia, em 1996, quando colocou duas pontes de safena e uma mamária.

"Durante a campanha de 96, não era difícil encontrar o então candidato a prefeito bem humorado. Essa fase, contudo, passou depois que ele assumiu a Prefeitura, e a característica de um político `estressado' voltou à tona. Mas, embora tenha essa marca, Magalhães vem sendo criticado, em reserva, por alguns aliados, pelo fato de sua administração, segundo eles, não ter uma característica própria. "Ele (Magalhães) deveria ter autonomia e vôo próprio. Já está na hora do doutor Roberto não parecer ser um `satélite' de Jarbas. Até porque foi o PFL quem fez o governador no interior", atira um pefelista.

"A campanha será pautada pela continuidade do trabalho que Roberto Magalhães vem desenvolvendo, apostando na popularidade de Jarbas. A leitura que está sendo feita é a de que a eleição servirá também para avaliar a densidade do governador no Recife", completa outro aliancista, apostando na volta da `lua-de-mel' entre peemedebistas e pefelistas. O JC tentou ouvir Roberto Magalhães - acionando sua assessoria -, mas não conseguiu.

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Jornal do Commercio
Recife - 19.12.99
Domingo