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TRADIÇÃO Dezenas de celebrações em homenagem à Iemanjá por FABIANA MORAES Dizem que os pescadores que morrem durante o trabalho dormem com Dona Janaína, mais conhecida como Iemanjá, lá no fundo do mar. Dizem também que é ela, mulher forte, arrogante, bonita e vaidosa, a mãe de todos os orixás. Protetora, guarda seus filhos e a eles concede graças pedindo em troca extrema devoção e presentes que satisfaçam sua inclinação ao belo: perfumes, espelhos, sabonetes. Em homenagem à deusa começaram, este mês, dezenas de festas em todo o Brasil, que só terminam após a famosa celebração no dia 2 de fevereiro, na praia do Rio Vermelho, em Salvador. No país inteiro, a orixá é associada a Nossa Senhora da Conceição e vários terreiros iniciaram o ciclo de celebrações e levadas de oferendas. Não é preciso ser filho de santo para participar das comemorações. As portas dos terreiros estão abertas a qualquer pessoa que quiser saudar a rainha do mar e participar do banquete oferecido por ela no final da festa. No terreiro de Raminho de Oxóssi, no bairro de Jardim Brasil 1, a festa de Iemanjá acontece no mesmo dia em que se celebra Nossa Senhora da Conceição, o 8 de dezembro. Os atabaques já começam a soar na noite anterior nos locais que prestam homenagens à orixá. "Todos os filhos da casa têm que fazer um descarrego antes da festa. Mesmo para preparar a comida ou manejar os objetos, é preciso fazer a limpeza", conta pai Raminho. O barracão (onde se realizam as festas do terreiro) do babalorixá é um dos maiores de Olinda e Recife. Dentro dele, funcionam nove `pêjis', pequenos quartos onde vivem as divindades africanas. Antes que a festa de Iemanjá - ou qualquer outro orixá - tenha início, é aberta a cortina do pêji de Exu, a quem são oferecidas presentes e cânticos. "Assim, ele fica satisfeito e deixa a festa seguir sem nenhum problema", explica pai Raminho, que já se acostumou a receber visitantes locais e até mesmo turistas. Outro local que pode ser visitado na noite de 7 de dezembro é o Terreiro de Iemanjá, no Barro. Comandado por pai Genivaldo de Oxum, cuja mãe de santo era guiada pelas palavras da Rainha do Mar. Genivaldo, orgulhoso, quer que todos vejam a panela (onde estão as oferendas) que vai ao mar levando os presentes. "Só levo perfumes, espelhos e sabonetes", diz o babalorixá. Nos terreiros, a presença de visitantes é totalmente aceita, desde que as normas da casa sejam respeitadas: apenas iniciados podem entrar na roda, e é preciso absoluto respeito pelas pessoas e entidades ali presentes. Pai Genivaldo não esquece as recomendações de sua mãe-de-santo e avisa aos que chegam ao terreiro pela primeira vez: Iemanjá não gosta que bebam cachaça ou fumem em seu terreiro. "Aqui, tem que se obedecer as normas dela". |
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