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TRADIÇÃO III Orixás exigem toque dos atabaques Sabe para quem vai a primeira saudação dada pelo orixá no terreiro? Errou quem disse pai-de-santo. Mais importante, nesse momento, é a orquestra de ogãs que toca para todos os filhos e deuses presentes no barracão. Sem o toque certo dos atabaques, os orixás não `descem' ao barracão. Os homens designados para esse trabalho tão especial entre o povo de santo são chamados de alabês, ogãs que, contraditoriamente, não recebem os orixás. Os atabaques possuem denominações diferentes entre si: o rum, o rumpi e o lé. O primeiro é responsável pela marcação dos passos da dança. Os outros reforçam a marcação. Também são usados o agogôe e o xequerê, comum entre os índios do interior de Pernambuco. Cada terreiro tem em média 500 canções reservadas para seus deuses. Nada é escrito, e os ogãs precisam aprender sozinhos o domínio da língua nagô. Antes do início dos toques a qualquer deus, esses instrumentos são `rebatizados', por meio de oferendas e sacrifícios. Existe um mito dentro dos barracões de que, para qualquer atabaque que cai no chão, é necessária uma pausa dentro do próprio terreiro. A queda é tida como um aviso do próprio orixá. Durante os toques de chamada de santo, os instrumentos são tocados sem qualquer acompanhamento de palmas ou cântigos. Nos dias de festa, largos pedaços de tecido - os mais nobres possíveis - são enroladas nos atabaques. A cor só vai depender do orixá que vai `descer'. Nas cerimônias não abertas ao público, durante os sacrifícios, os ogãs são acompanhados pelo som de palmas dos presentes. É de extrema importância que os ogãs estejam `limpos', purificados. Cada orixá tem seu toque característico. A entrada dos orixás no terreiro segue uma espécie de ordem pré-determinada: primeiro vem Exu, depois, Ogum, Oxóssi (Odé), obaluaê. Nanã, os erês (bêjis, as crianças do candomblé). Oxumaré, Obá, Oiá-Iansã, Xangô, Oxum, Iemanjá e Orixalá. (F.M.) |
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