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CARROS ESPECIAIS Carro adaptado dá autonomia a deficiente por JOAQUIM PRADO O direito de ir e vir do deficiente físico no Brasil ainda tem muitas limitações, mas no que depender das regras de circulação no trânsito, as adaptações mecânicas podem garantir mobilidade total. Munidos de kits especiais instalados no carro, deficientes físicos dos membros inferiores podem dirigir com toda desenvoltura e segurança. É o caso da para-atleta Suely Guimarães, presidente da Associação dos Deficientes Motores de Pernambuco (ADM-PE). Ela comprou recentemente um Vectra GLS, que adaptou para uso do acelerador, freio e embreagem com as mãos. O mecanismo funciona através de uma pequena corda, presa a uma alavanca, de um lado, e a uma roldana, localizada atrás do pedal, do outro. Sueli aciona o mecanismo com a mão esquerda. Com a direita, usa outra alavanca, para o acelerador e freio. Para acelerar, ela puxa a alavanca, que tenciona um fio grosso de nylon, ligado ao acelerador, também por roldana. Para frear, basta empurrar a alavanca, que é conectada ao pedal por uma barra de ferro. Seja para acelerar, frear ou trocar de marchas, Suely tem sempre pelo menos uma das mão no volante, embora às vezes só o polegar da mão esquerda. No trânsito, ela troca de marchas, freia e acelera com desenvoltura. Quem vê Sueli passar pela rua nunca imagina que ela perdeu as duas pernas. Só quem passa de ônibus ou caminhão pode ver que eu não uso as pernas para dirigir, diverte-se. Todo o equipamento pode ser retirado em minutos, sem alterar as características normais do carro. Apesar da facilidade de uso das adaptações, a vida do motorista deficiente físico não é uma estrada livre. Apenas uma auto escola no Grande Recife, em Santo Amaro, opera com veículos adaptados para deficientes dos membros inferiores. Suely também reclama que as locadoras da região não dispõem de carros adaptados para uso dos deficientes. Quando para-atletas amigos meus vêm ao Recife para competições, eles precisam de alguém que os leve para todos os lugares, pois não dispõem de veículos alugados adaptados, reclama. O Detran não sabe quantos deficientes físicos estão habilitados para dirigir no Recife, mas calcula que pelo menos 80 pessoas fizeram requerimento para tirar carteira este ano. O exame do deficiente tem apenas uma única diferença das habilitações normais. Uma junta de três médicos examina a extensão da deficiência e a desenvoltura do candidato com as adaptações. Depois de passar no exame de direção, o deficiente pode então tirar sua carteira. ESTACIONAMENTO Embora ela não tenha dificuldade de entrar ou sair de seu carro e de locomover-se com facilidade na cadeira de rodas, Suely se ressente que poucos estacionamentos no Recife obedecem a lei que determina que alguns espaços devem ser reservados aos deficientes. E algumas pessoas ainda por cima ocupam as vagas dos deficientes. Não é apenas ilegal, mas também extremamente grosseiro, reclama. Serviço: |
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