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RICARDO BOECHAT

Os rumos do Caso PC

O grande espetáculo montado em Maceió para confrontar os donos de laudos conflitantes sobre o que realmente ocorreu na casa de praia de PC Farias, apenas confirmou as suspeitas da própria Justiça de que Badan Palhares pisou na bola, definitivamente. Depois de nove horas corridas de debates, os peritos que assinaram o contralaudo, chefiados pelo legista Manuel Munhoz, apresentaram nove provas técnicas inéditas sobre o caso, enquanto Palhares se limitou apenas a mostrar uma simulação de vídeo com um barbante reproduzindo a trajetória da bala que matou Suzana Marcolino. A encenação serviu, também, para reforçar a opinião do promotor do caso, Luiz Vasconcelos, agora mais convicto do que nunca de que Suzana nunca atirou em ninguém, tese com a qual também concorda o juiz Alberto Correia, que considerou frágeis as premissas do primeiro laudo, com o que concordou seu autor, Palhares, na madrugada da última sexta feira em Maceió. E agora? O processo, com certeza, vai tomar seu curso certo e chegar ao fim, sem qualquer perigo de arquivamento por falta de provas. Os suspeitos da chacina de Guaxuma já foram identificados, falta apenas que se faça justiça. Falta também que tudo corra muito rápido, mais do algumas balas certeiras que possam levar o caso para o limbo, o que pode acontecer caso ocorram quaisquer danos contra a integridade física dos ex-seguranças (e que seguranças!) de PC Farias. Enquanto existe um lado alagoano querendo a todo custo que se faça justiça na Terra dos Marechais, que a situação do Caso PC seja totalmente esclarecida, há outro que deseja exatamente o contrário, querendo que paz e ordem não sejam a tônica da vida das Alagoas, porque interesses escusos falam mais alto quando dinheiro e poder estão em jogo.

Motoboy não matou Pitucha

A polícia encontrou mais uma vítima do motoboy Francisco de Assis Pereira (foto), conhecido como o maníaco do Parque. Trata-se de M.F.O., a Pitucha. Ela estava desaparecida e é considerada a 22ª mulher atacada pelo motoboy. Ao ser preso, Pereira afirmou ter matado dez mulheres, mas a polícia só conseguiu encontrar nove cadáveres. Ao ser interrogado, Pereira confessou que havia matado uma 10ª mulher, conhecida como Pitucha. Ele chegou a indicar o local, no Parque do Estado, onde a havia matado.

Partilha

A Justiça do Rio G. do Sul decidiu, de forma inédita, que o processo de partilha do patrimônio de um casal de lésbicas é de competência de Vara de Família. A decisão contrariou entendimento do juiz Nelson Gonzaga, da Vara de Família, de que o caso deveria ser julgado por uma Vara Cível. Gonzaga havia argumentado que as Varas de Família devem tratar apenas de questões envolvendo uniões estáveis entre homens e mulheres.

Protesto indígena

Uma centena de índios de 15 nações do Alto Xingu esteve sexta-feira (18), no Palácio do Planalto, para entregar uma carta ao presidente Fernando Henrique. Apesar das explicações de assessores de FHC, de que o presidente estava no Rio, o cacique caiapó Raoni não aceitou a recusa de uma audiência. "Fui recebido pelo presidente Figueiredo, por Sarney, pelo Papa; por que ele não quer me receber?"

Doenças infecciosas matam mais

A Organização Mundial de Saúde (OMS) adverte que os governos estão perdendo a última oportunidade de controlar as doenças infecciosas, um grupo de enfermidades que mata 1.500 pessoas a cada hora, no mundo todo. Caso não haja um esforço mundial e urgente, os medicamentos e meios disponíveis se tornarão ineficazes diante da resistência dos vírus e bactérias.

Seis doenças são as responsáveis

A tendência é que o número de mortes aumente rapidamente e que os governos sofram perdas sociais e econômicas incalculáveis. Seis doenças são as principais responsáveis pelas 13 milhões de mortes anuais atribuídas a doenças infecciosas: tuberculose, Aids, malária, pneumonia, hapatites e diarréias.

O ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, prometeu assentar 25 mil famílias até a primeira quinzena de julho. Neste ano o programa de reforma agrária distribuiu terra para pouco mais de mil famílias. Até o fim do mês, segundo o ministro, serão liberados R$ 70 milhões para assentar as 25 mil famílias.

É dentro do banheiro dos funcionários da escola César da Cunha Bastos, na periferia de Goiânia (GO), que funciona a biblioteca do colégio. A decisão de colocar 400 livros no banheiro, que funciona normalmente, foi tomada pela direção da escola devido à falta de espaço. O colégio, além da "banheiroteca", como os alunos apelidaram o local, possui uma sala de aula feita de madeira.


Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo

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