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VELOCIDADE
"Jornada nas Estrelas" pode virar realidade

por ROBERT MATTHEWS
AF

Grande notícia para os fãs de "Jornada nas Estrelas": descobriu-se que é possível que as chamadas dobras espaciais capazes de levar espaçonaves a transitar pela galáxia em velocidades superiores à da luz sejam viáveis, sim -com um pouco de ajuda do Doutor Who.

Em 1994, Miguel Alcubierre, então ligado à Universidade do País de Gales, em Cardiff (Reino Unido), causou espanto entre físicos ao demonstrar que o célebre sistema de propulsão mais veloz que a luz do qual é dotada a nave Enterprise, do seriado "Jornada nas Estrelas", pode não ser tão absurdo quanto parece.

"Alcubierre aventou a hipótese de que uma nave espacial poderia "entortar" o espaço de tal modo que ele encolhesse à sua frente e se expandisse atrás dela. Ao empurrar o ponto de partida muitos anos-luz para trás e, ao mesmo tempo, trazer o destino da nave para mais perto, o sistema das dobras espaciais poderia, de fato, transportar a nave de um lugar a outro em velocidades superiores à da luz.

Mas, em 1997, Michael Pfenning e Larry Ford, da Universidade Tufts, em Medford, Massachusetts (EUA), aparentemente jogaram uma pá de cal sobre essa idéia engenhosa, mostrando que, para ela funcionar, seria preciso empregar energia em quantidade muito superior ao total energético presente no Universo.

Agora, Chris Van Den Broek, do Instituto de Física Teórica da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, trouxe a proposta de Alcubierre à tona novamente. O truque, segundo ele, consiste em utilizar uma forma estranha de espaço entortado, envolvendo uma "bolha" com volume interno grande, mas superfície muito pequena.

Para visualizar o funcionamento do sistema, imagine primeiro um espaço que tenha apenas duas dimensões. A seguir, suponha que existe uma bolha conectada a esse espaço plano por um gargalo muito fino. Os habitantes desse mundo bidimensional constatariam que esse gargalo teria uma circunferência muito pequena, mas que o interior da bolha teria uma superfície grande. No mundo real, diz Van Den Broek, essas circunferências bidimensionais se tornam áreas de superfície, e as áreas de superfície se tornam volumes.

Podemos ter regiões do espaço que, vistas de fora, aparentam ser pequenas, mas que possuem volumes internos enormes."

FICÇÃO CIENTÍFICA - Os amantes da ficção científica vão reconhecer essa idéia imediatamente como sendo uma das propriedades-chave do Tardis, do Doutor Who, que tinha a aparência do compartimento de presos de um camburão, mas cujo interior era amplo. Mas o verdadeiro apelo de tais bolhas consiste no fato de que suas superfícies pequenas podem ser criadas com quantidades muito modestas de energia.

Em seu artigo, publicado pelo Laboratório Nacional de Los Alamos, Van Den Broek lança mão dos resultados obtidos por Pfenning e Ford para mostrar que uma bolha de tamanho suficiente para conter uma nave espacial poderia ser formada usando apenas 1 g de material apropriado para fazer curvaturas espaciais. E, com o espaço entortado a contento em torno da nave, o destino e o ponto de partida seriam reunidos, permitindo que a nave se deslocasse em velocidade superior à da luz.

Van Den Broeck faz uma ressalva: esse material adequado para fazer curvaturas espaciais deve possuir energia negativa -e, atualmente, ninguém sabe como produzir um material dessa natureza. Mesmo assim, a descoberta de que as dobras espaciais podem não exigir o dispêndio de quantidades imensas de energia já provoca reações entusiasmadas.

Tradução de Clara Allain

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Jornal do Commercio
Recife - 20.06.99
Domingo

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