![]() |
![]() |
![]() |
![]() |
VIOLÊNCIA V Famílias formam grupo para juntas tentar superar dor O exemplo argentino deverá ser seguido também no Recife: as mães que perderam seus filhos assassinados terão a oportunidade de trocarem, juntas, dor, experiência e sofrimento. Essa é a proposta que o Movimento Tortura Nunca Mais (Fone: 227.3693) está fazendo para tentar ajudar as famílias que foram desestruturadas pela morte violenta de seus filhos. "Não nos interessa saber se quem foi assassinado era menor infrator ou não, pobre ou rico, branco ou negro", garante a psiquiatra Guanaíra Amaral, ex-diretora do Hospital de Custódia e Tratamento Psiquiátrico do Estado e do Manicômio Feminino de São Paulo. "Queremos dar suporte psicológico a um grupo de apoio porque, compartilhada, a dor tende a diminuir", explica. Com a experiência de quem trabalhou na Austrália com ex-combatentes que sofreram tortura no Vietnã, Guanaíra Amaral conta que as conseqüências provocadas em uma família pela morte violenta de um filho é tão traumática quanto os resíduos que a tortura deixa no torturado e em seus familiares. "A morte de um filho é um trauma muito forte e muitas mulheres sofrem de uma desordem mental pós-traumática. Estão doentes e reagem de forma anormal", explica. Nesse caso é muito comum presenciar atitudes típicas, como a revisão da vida do filho perdido; sono leve e turbulento; sinais fortíssimos de depressão; lembrar sempre da morte; fixação pelo filho morto; isolamento social; negação da família e os demais filhos deixam de existir; e imenso sentimento de culpa quanto mais violenta for a perda e quanto mais expectativa a mãe tiver em relação ao filho. "O grupo de mães irá funcionar na medida em que cada uma ouvir a dor da outra. Não há psicoterapia melhor que compartihar os sentimentos", garante. |
|